O relatório “O Momento Atual da Reforma dos Cuidados de Saúde Primários em Portugal 2021/2022”, a ser apresentado esta 6ª feira pela Associação Nacional de Unidades de Saúde Familiar (USF-AN), apontou um retrato crítico de falhas informáticas, falta de material básico, instalações desadequadas, excesso de utentes por equipa de saúde, violência psicológica e física sobre profissionais, destacando que a insatisfação com o Ministério da Saúde atingiu níveis nunca vistos.
Nos últimos 12 meses, 78% das USF registaram pelo menos um episódio de qualquer tipo de violência, um número que ainda assim representa uma melhoria face ao estudo anterior (93%). “Apesar da diminuição, estes são dados que se têm de considerar críticos, sendo necessário dar especial atenção às causas e soluções para a violência, que se demonstra um problema muito frequente”, pôde ler-se no relatório, segundo revelou esta sexta-feira o ‘Jornal de Notícias’.
A violência psicológica é a mais frequente, tendo sido identificada em 68,1% das 448 USF que participaram no estudo. Segue-se o assédio sobre profissionais de saúde (42,8%), a violência física (32,1%), violência contra a propriedade pessoal (17,7%) – inclui danos e furtos em bens próprios como carro ou cacifo – e a violência sexual (1,4%).
André Rosa Biscaia, presidente da USF-AN e coordenador do Plano de Ação para a Prevenção da Violência no Sector da Saúde da Direção-Geral da Saúde, revelou ao jornal diário que “é difícil a prevenção total mas há muita coisa que ainda pode ser feita”, sublinhando que o novo estatuto do SNS, que consagra maior autonomia para as USF, pode ajudar a resolver alguns problemas. “Temos esperança que, com uma autonomia igual à dos hospitais, se consiga aproximar a resolução dos problemas do terreno.”







