O diretor da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, está praticamente garantido para um segundo mandato depois de uma votação processual esta terça-feira o ter tornado o único indicado antes de uma votação de liderança em maio.
“Gostaria de parabenizar o Dr. Tedros pela sua nomeação como DG (diretor-geral) por um período adicional de cinco anos, a partir de 16 de agosto de 2022”, disse Patrick Amoth, chefe do conselho executivo de 34 membros da OMS, após uma votação de nomeação por voto secreto.
Contudo, todos os 194 estados membros da OMS terão uma palavra a dizer quando se reunirem em maio sobre se permitem que o ex-ministro da Saúde e Negócios Estrageiros da Etiópia continue no cargo que ocupa desde 2017. Mas como único candidato, há poucas dúvidas de que Tedros seja reeleito.
O segundo mandato de Tedros provavelmente será dominado pela enorme tarefa de fortalecer a OMS, cujas fraquezas foram expostas quando a pandemia atingiu o planeta.
Muitos países estão a exigir reformas significativas, mas a extensão e a forma das mudanças ainda não foram definidas, com algumas nações receosas de que uma OMS mais forte possa invadir sua soberania.
Tedros também está a pedir uma ampla reforma do financiamento da OMS, alertando que não tem o financiamento necessário para responder às inúmeras crises às quais é solicitada a responder em todo o mundo.
Desde que o Covid-19 “explodiu” no cenário global há mais de dois anos, o especialista em malária de 56 anos recebeu muitos elogios pela maneira como conduziu a OMS durante a crise.
Os países africanos, em particular, ficaram satisfeitos com a atenção dada ao continente e com a sua campanha implacável para que as nações mais pobres recebam vacinas contra a Covid-19.
A principal fonte de oposição, entretanto, vem do próprio país de Tedros. O governo da Etiópia expressou irritação crescente com os seus comentários sobre a situação humanitária na sua região natal de Tigray, em virtude de um conflito de 14 meses.
Apesar da oposição da Etiópia, 28 países apoiaram a candidatura de Tedros, principalmente da Europa, mas também alguns da África, incluindo Quénia e Ruanda.
Também os Estados Unidos agora apoiam amplamente o chefe da OMS, o que marca uma grande reviravolta desde o início da pandemia, quando o governo do ex-presidente Donald Trump começou a retirar os Estados Unidos da OMS, acusando-a de ser uma marioneta de Pequim e ajudar a encobrir o surto inicial.












