União Europeia não vai sobreviver à crise, alerta George Soros

Os efeitos negativos, e devastadores, na economia da zona euro decorrentes do novo coronavírus vão durar “mais do que a maioria das pessoas pensa”, defendeu o investidor bilionário George Soros, em declarações proferidas no Schumpeter Award na Áustria, citado pela ‘Reuters’.

Uma posição que o bilionário, de 89 anos, reforçou ao acrescentar que a rápida evolução do vírus significa também que será muito difícil desenvolver uma vacina confiável.

O presidente da Soros Fund Management LLC defende ainda que os títulos perpétuos, usados ​​pelos britânicos para financiar guerras contra Napoleão, podem permitir que a União Europeia (também ela forjada dos escombros da Segunda Guerra Mundial) consiga sobreviver a esta crise.

“Se a União Europeia não puder considerar fazê-lo agora, talvez não consiga sobreviver aos desafios que enfrenta atualmente”, disse Soros, sublinhando que esta “não é uma possibilidade teórica; pode ser a realidade trágica. ”

Soros, que ganhou fama apostando contra a libra em 1992, disse ainda que, com países importantes como a Alemanha a negociar títulos em terreno negativo, os títulos perpétuos facilitariam uma crise orçamental iminente em todo o bloco europeu.

O investidor alertou para a necessidade de a UE ter de manter o seu rating de crédito ‘AAA’ para emitir essa dívida – e, portanto, ter poderes de aumentar os impostos para cobrir o custo dos títulos. “Existe uma solução e os impostos só precisam de ser autorizados, não precisam de ser implementados”, defendeu.

Soros deu ainda nota do quanto está particularmente preocupado com a Itália: “O que restaria da Europa sem a Itália? O relaxamento das regras de auxílio estatal, que favorecem a Alemanha, tem sido particularmente injusto com a Itália, que já era o ‘homem doente’ da Europa e agora o mais atingido pela covid-19”.

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