A União Europeia gerou 12% de toda a sua eletricidade a partir de fontes solares neste verão, garantiu esta quinta-feira o jornal ‘Público’ – a produção recorde, segundo um relatório do think tank ‘Ember’, permitiu evitar importações de gás num valor estimado de 29 mil milhões de euros.
“Cada Terawatt-hora (TWh) de electricidade solar ajudou a reduzir o nosso consumo de gás, economizando milhares de milhões de euros para os cidadãos europeus. A prioridade agora deve ser acelerar a implantação da energia solar para ajudar a proteger a Europa de futuros choques nos preços dos combustíveis fósseis”, garantiu Pawel Czyzak, que elaborou o estudo em parceria com Sarah Brown.
Portugal foi um dos 18 países que quebrou recordes de produção. “Poderíamos dizer que Portugal está entre os melhores, com a quota solar a crescer 3,3 pontos percentuais face ao ano passado – de 6% para 9,3%, graças aos 1,5 Gigawatts (GW) de capacidade adicionada em 2021”, explicou o analista sénior da Ember. “Portugal está no caminho certo para melhorar, muito rapidamente, a quota de energia solar. É uma boa notícia para atingir os novos 80% de quota de energia limpa em 2026.”
Os sados mensais de geração de eletricidade dizem respeito a maio e agosto de 2022, os meses considerados os mais produtivos no que toca à energia solar. No estudo da Ember foi revelado que a União Europeia produziu 99,4 TWh de electricidade a partir de energia solar neste verão, um resultado bem acima dos 77,7 TWh obtidos em igual período de 2021.
A lista de 18 países recordistas é liderada pela Países Baixos (22,7%), Alemanha (19,3%), Espanha (16,7%), Grécia (15,3%) e Itália (15%). A maior subida na geração solar desde 2018 coube à Polónia – um país que, apesar de ser muito dependente do carvão aumentou 26 vezes a geração solar.
O crescimento europeu na energia solar teria sido possível uma crise energética? “Talvez seja surpreendent mas o cenário geopolítico teve um impacto limitado no crescimento solar. É de facto o contrário: foi a energia solar que ajudou a mitigar a crise causada pela invasão da Rússia, a escassez de gás, as questões nucleares e a baixa [produção] hidreléctrica devido a secas”, explicou Pawel Czyzak. “Sem energia solar, provavelmente estaríamos a enfrentar apagões.”







