Num dia em que se celebra o Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres, importa recordar que este flagelo, que atinge mulheres de todo o mundo, tornou-se com as restrições impostas pela pandemia da Covid-19, num verdadeiro fenómeno mundial.
São vários os países que relatam todos os dias episódios de violência feminina. Segundo a RTP, que cita dados do Observatório da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), Em Portugal já morreram 30 mulheres por violência, desde o início de 2020 e até ao dia 15 de Novembro.
De acordo com o UMAR, 16 destes casos remetem para mulheres assassinadas numa relação de intimidade. Desde 2004 a violência doméstica em mulheres já causou 564 vítimas.
Na Nigéria e na África do Sul, as violações subiram exponencialmente, no Peru aumentaram os desaparecimentos de mulheres, enquanto que no Brasil e México os feminicídios também atingiram números elevados, segundo a agência France Press (AFP). Na Europa, as associações que ajudam vítimas de violência estão sobrecarregadas.
De acordo com dados da ONU Mulheres divulgados no final de setembro, o confinamento causou aumentos nas denúncias ou chamadas de emergência para as autoridades em vários países. No Chipre e em França, a subida foi de 30%, em Singapura 33% e na Argentina 25%, revela a mesma publicação.
«Estamos a assistir a uma perigosa degradação da situação socioeconómica das famílias após o confinamento, com mais situações pobreza, o que pode levar a reações violentas», revela Hanaa Edwar, da Rede de Mulheres Iraquianas, que há 10 anos pede uma lei contra a violência doméstica no país, citado pela AFP.
A ONU Mulheres revela ainda que a nível mundial, apenas um em cada oito países adotou medidas para atenuar os efeitos da pandemia em mulheres e crianças. Em Espanha, as vítimas conseguiram «alertar as autoridades de forma discreta com o código “Máscara 19″». Em França foram criados pontos de contato, administrados por associações, em supermercados.
«As mulheres que nos procuraram estavam em situações que se aproximavam do insuportável, perigosas. O confinamento teve um efeito tabu sobre o fenómeno (da violência contra a mulher)», afirma Sophie Cartron, diretora adjunta de uma associação que atuou num centro comercial da região de Paris.
Segundo o último balanço da ONU feito em Julho, os seis meses de restrições sanitárias impostas devido à pandemia, poderão ter causado 31 milhões de novos casos de violência contra as mulheres, bem como sete milhões de gravidezes indesejadas, colocando ainda em risco a luta contra a mutilação genital feminina e os casamentos por conveniência.



