“Uma economia saudável precisa de pessoas saudáveis”: Executivos analisam a importância que as empresas devem dar à saúde

Numa Mesa Debate dedicada à saúde, Ana Rita Gomes, Administradora da Multicare, João Almeida Lopes, CEO da Medinfar, e Nelson Santos de Brito, Administrador da Luz Saúde, debatem este setor como um fator chave de desenvolvimento de um país envelhecido.

O setor da saúde tem uma contribuição crescente para o PIB nacional. O valor das exportações duplicou em 10 anos e tem afirmado uma importância crescente na economia portuguesa.

Como o setor da saúde ajuda a economia do país? Quando não temos saúde, não contribuímos para o crescimento económico”, considera João Almeida Lopes, sublinhando que uma economia saudável precisa de pessoas saudáveis.

Para o CEO da Medinfar, para cimentar o crescimento deste setor, a indústria deve estar mais presente nas fases iniciais da cadeia de valor, como a parte da investigação, pois poderemos exportar mais valor acrescentado.

Já do ponto de vista dos operadores, Nelson Santos de Brito considera que é importante que haja uma maior sensibilização na área da prevenção para que seja possível  dar resposta no tratamento da doença. Para o executivo, as empresas têm um papel fundamental aqui, e devem recomendar o controlo da saúde para eu os operadores tenham capacidade de atuar.

Por forma a ter uma ação mais próxima dos utentes, o Administrador da Luz Saúde dá seu exemplo: “Somos um operador phygital, temos o nosso hospital digital que permite videoconsultas e sincronização de documentos, resultados de exames e análises, o que ajuda a otimizar todos os processos”.

Já do lado do setor segurador, Ana Rita Gomes acredita que este “pode trazer para a saúde dos portugueses”.

O setor segurador está preocupado e comunga das preocupações de outros setores ligados à saúde, e alerta a executiva, com o envelhecimento da população ou a carga de doença, não haverá recursos, pelo que é necessário integrar os cuidados de saúde e investir na prevenção.

 

Novas soluções para a saúde do setor

“O Estado da Arte hoje e totalmente diferente de há anos. Temos que encontrar as soluções para colocar ao nosso dispor todas as soluções e novas tecnologias do setor”, diz João Almeida Lopes, acrescentando que devemos tentar colocar recursos onde eles são mesmo necessários, e para isso é fundamental que todos os interlocutores se entendam, nomeadamente entre o SNS e os privados.

Já para Nelson Santos de Brito, uma das soluções deve passar por conseguir que os médicos cirurgiões trabalhem em conjunto com os médicos de família, por forma a que consigam analisar os determinantes sociais do utente, melhorando assim o acompanhamento, tratamentos e resolução dos problemas.

No que respeita a novas tecnologias, o executivo acrescenta a importância destas na monitorização dos utentes à distância, mas alerta, “só faz sentido investir em tecnologia se os outcomes cobrirem os custos que estamos a ter com os utentes, isto é muito importante”.

No setor segurador, Ana Rita Gomes admite que estão a trabalhar em vários níveis, nomeadamente na componente intergeracional.  Para além disso, não estão a olhar apenas como um desafio que têm que ultrapassar, realizaram um estudo de mercado e estão a trabalhar para desenvolver um conjunto de soluções que enderece à necessidade dos utentes.

“A monitorização remota pode trazer grandes mais valias, principalmente na população idosa, e deve-se apostar no internamento domiciliário”, explica, acrescentando que vai ser cada vez  mais importante os cuidados ambulatórios em casa, para que as pessoas sejam apenas institucionalizadas quando for mesmo necessário

 

Impacto da inflação no setor da saúde

A inflação tem impacto em todos os setores de atividade, e o da saúde é também impactado. João Almeida Lopes explica que o preço dos medicamentos é regulado, e “é necessário uma intervenção porque podemos enfrentar muitos problemas, como por exemplo a disponibilidade dos medicamentos”.

O executivo explica que o que temos tido nos últimos 20 anos é uma descida dos preços, “mas a situação começa a ter um limite e chega a uma altura que podemos estar a bater com a cabeça no teto”.

Para o Administrador da Luz Saúde, a inflação tem um impacto enorme no setor mas, para si, o principal desafio é que “concorremos com outros países que vêm buscar os nossos profissionais. Temos um cocktail complicado de gerir”.

Para terminar, Ana Rita Gomes destaca que “estamos numa tempestade perfeita e num cenário explosivo”, e que uma das principais preocupações da empresa é que os clientes particulares que não tenham seguros e que pressionem mais o SNS

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