A Generali Investments antecipa uma nova escalada das tensões geopolíticas, mas considera que os efeitos sobre a economia global deverão permanecer moderados. A análise, assinada por Vincent Chaigneau, Head of Research da Generali Investments, surge na sequência de uma série de ataques entre os Estados Unidos e o Irão durante o fim de semana, que continua a pressionar os preços do petróleo.
O cenário central da gestora aponta para uma reescalada contida do conflito, que não deverá comprometer o crescimento global, que permanece estável. No entanto, a redução do tráfego através do Estreito de Ormuz poderá contribuir para manter a inflação acima dos objetivos durante mais tempo.
Neste contexto, a Generali Investments recomenda uma posição neutra na duração das obrigações em euros, mantendo simultaneamente uma pequena posição curta nos Estados Unidos. Para Vincent Chaigneau, a recente desaceleração da inflação nos EUA não é suficiente para alterar de forma significativa as perspetivas, uma vez que “uma andorinha — um CPI mais suave em junho — não faz a primavera”.
A análise considera ainda que os riscos de recessão permanecem reduzidos e que o crédito deverá manter-se resiliente, apoiado por fatores técnicos favoráveis, como a oferta limitada prevista para as próximas semanas.
Apesar deste cenário, a Generali Investments reduziu a sua exposição positiva aos mercados acionistas. A decisão não resulta apenas da expectativa de padrões sazonais menos favoráveis à medida que o verão avança, mas também dos sinais de fadiga observados nos mercados.
As ações globais registaram uma forte valorização em abril e maio, mas começam agora a evidenciar sinais de perda de força. Ao mesmo tempo, a dispersão entre ações aumentou significativamente, enquanto a rotação de mercado provocou uma forte queda nas estratégias de momentum durante este mês.
A principal mudança ocorreu no setor tecnológico, onde as empresas de semicondutores entraram num mercado bear após uma forte subida no segundo trimestre.
Para a Generali Investments, o aumento da dispersão não significa necessariamente que esteja iminente uma correção dos mercados. No entanto, tende a indicar uma maior vulnerabilidade e reforça a importância de uma diversificação mais ampla entre setores e geografias.
Investimento em IA continua a suportar crescimento
Entre os fatores positivos, a gestora destaca a continuidade dos planos de investimento em infraestruturas de inteligência artificial. Apesar das preocupações relacionadas com a capacidade de monetização dos grandes modelos de linguagem (LLM), a Generali Investments não identifica sinais de abrandamento no investimento em inteligência artificial, que continua a contribuir para o crescimento global.
A análise destaca ainda a tendência de flexibilização regulatória, apontando como exemplo a proposta da Comissão Europeia para reduzir os requisitos de capital dos bancos europeus, nomeadamente através do rácio de alavancagem, na sequência de movimentos semelhantes nos Estados Unidos e no Reino Unido.














