Os planos do Governo britânico para aumentar o número de voos não podiam contrastar mais com a legislação para tornar o Reino Unido neutro em termos de emissões de dióxido de carbono até 2050. «Vai ser impossível», alertam os ambientalistas.
De acordo com o “The Independent”, Downing Street está a ser acusada de «total desrespeito pelo planeta» depois de ter revelado esta quinta-feira, na tomada de posse do novo Governo, uma lei que permite o aumento do número de descolagens e aterragens no espaço aéreo britânico. Boris diz que o principal objectivo é «manter a posição do Reino Unido como líder mundial na aviação».
O transporte aéreo no Reino Unido é responsável por cerca de 15% das emissões poluentes, escreve ainda o jornal online britânico. Ao mesmo tempo, o Governo conservador argumenta que o sector da aviação é responsável pela criacção de cerca de 200 mil empregos e assegura que o crescimento será «sustentável».
Já os ambientalistas defendem que esta nova lei vai acelerar o «colapso climático» e dizem que revela uma visão não realista do Governo. «Numa altura em que o Governo deveria estar concentrado em reduzir drasticamente as emissões de carbono do país, isto é o exemplo do absurdo que é a capacidade do Executivo de cumprir as suas próprias metas. Tornar o país neutros em emissões de carbono zero em 2050 já era pouco», afirma Alannah Travers, porta-voz do movimento Extinction Rebellion (Extinção Rebelião).
Também Molly Scott Cato, eurodeputada do Green Party (Partido Verde) do Reino Unido, disse ao “The Independent” que «o sector da aviação deveria ter restrições». «Esta política imprudente de encorajar a expansão dos aeroportos veio confirma as nossas piores suspeitas de que o Governo conservador quer sacrificar o clima em prol do lucro», acusa.







