A satisfação global dos portugueses com os cuidados de saúde primários desceu por culpa da pandemia de Covid-19. A conclusão é de um estudo da Deco Proteste.
Segundo a pesquisa, “apenas um terço dos inquiridos que precisaram de cuidados de saúde não penalizaram o clínico geral. Quatro em dez consideram o acompanhamento médico insatisfatório e 28% assinala a opção “sofrível””.
“Quando questionados sobre o nível de satisfação atual com os cuidados de saúde primários, 31% dos inquiridos apontaram o sinal menos ao médico de família e 37% ao centro de saúde”, lê-se no estudo.
Se compararmos estes números aos do período antes da pandemia, “um terço dos utentes estão atualmente menos satisfeitos com o seu médico de família e quase metade com o centro de saúde”.
Adicionalmente, a satisfação global com os centros de saúde também desceu – “55% dos portugueses precisaram de cuidados de saúde não relacionados com Covid-19 durante a pandemia, metade dos quais não receberam todos os cuidados que precisavam”.
Para além disso, “a assistência aos pacientes nos cuidados primários de saúde foi afetada pela reorganização dos serviços no período pandémico, sendo que 46% dos inquiridos que precisaram de cuidados de saúde durante a pandemia não conseguiram suprir todas as necessidades”, revela o organismo.
De destacar ainda que destes 46%, “27% não tiveram uma única consulta – uma realidade à qual não será alheia a alocação de profissionais de saúde para o seguimento telefónico de doentes com Covid-19, processo de vacinação e outras tarefas referentes à gestão da pandemia”.
“Os dados reportados alertam que sete em cada dez utentes que falharam cuidados de saúde, não fizeram duas a cinco das consultas de que precisavam entre o início da pandemia e meados de 2021, manifestando impacto na sua saúde – num quarto dos casos com consequências graves”, lê-se no estudo.
O estudo mostra ainda que “a maioria dos inquiridos que têm o seu médico de família há menos de um ano (55%) indicam não terem tido todos os cuidados que precisavam, um valor superior aos pacientes que têm o mesmo médico há mais de 10 anos (40%)”.
“Estes dados parecem indicar que as relações mais duradouras com o médico de família tendem a beneficiar o acompanhamento dos utentes”, adianta a Deco Proteste na mesma pesquisa.
No que diz respeito à distribuição geográfica, “o norte do País surge à frente das falhas reportadas, com 54% dos utentes a dizerem que não viram todas as suas necessidades atendidas”.








