Se os cidadãos europeus pudessem decidir as fronteiras de cada país, o mapa da Europa seria significativamente diferente. Dados divulgados pelo jornal espanhol La Vanguardia revelam que um terço dos europeus quer parte do país vizinho.
Segundo uma análise levada a cabo pela Pew Research pouco antes da pandemia invadir o dia-a-dia de pessoas de todo o Mundo, Hungria, Grécia, Bulgária, Turquia, Rússia, Polónia e Ucrânia são os países cujos cidadãos mais demonstram vontade em aumentar a dimensão dos respectivos territórios. Também se nota algum desejo por parte de espanhóis, italianos, franceses e alemães mas, nestes casos, são excepções aqueles que sonham com mais alguns quilómetros quadrados.
O mesmo estudo associa a vontade de anexar territórios às ambições de partidos e movimentos de extrema direita e à ideia da criação de impérios. Montserrat Guibernau, professora de Ciência Política em Cambridge, aponta ainda para a descrença na democracia: diz que estamos perante a degradação deste regime político, permanecendo apenas a designação.
Questionados sobre se parte dos paízes vizinhos lhes pertence, 67% dos húngaros diz que sim. O mesmo acontece com 60% dos gregos, 58% dos bulgaros e 50% dos polacos e eslovenos. Em Espanha, 37% dos inquiridos também acredita que parte da nação vizinha deveria ser anexada, sendo que neste caso estará a falar de França ou de Portugal.
Nota-se o mesmo tipo de tendência junto de 36% dos italianos, 33% dos franceses e 30% dos alemães. Fora da União Europeia, 58% dos turcos tem a mesma vontade, bem como 53% dos russos e 47% dos ucranianos.
Apesar de as consequências actuais do novo coronavírus ainda não serem contabilizadas neste estudo, já existiam outras fragilidade na Europa a preocupar os cidadãos dos diferentes países. Exemplo disso será a saída do Reino Unido da União Europeia, que veio abalar a ideia de comunidade unificada.
O La Vanguardia lembra que há disputas recentes, nomeadamente entre Espanha e a Argélia, sendo que esta última reclamou para si a ilha de Cabrera. A via do diálogo foi, porém, a escolhida, tendo optado ambas as partes por negociar.
O mesmo jornal lembra as palavras do primeiro-ministro sueco Carl Bildt para apontar uma possível explicação: «As fronteiras da Europa foram desenhadas com sangue e mudá-las trará de novo sangue.»














