Ter apenas uma fonte de rendimento está a deixar de ser suficiente para muitos jovens portugueses. Sete em cada dez pessoas entre os 18 e os 35 anos já têm ou ponderam procurar um segundo rendimento, através de outro emprego ou de um projeto paralelo.
A conclusão consta de um estudo do Observador Cetelem sobre o consumo jovem, segundo o qual 40% dos inquiridos já conciliam a atividade principal com uma fonte adicional de rendimento. Outros 34% admitem vir a fazê-lo.
O rendimento médio mensal declarado pelos jovens participantes no estudo é de 1.489 euros. Ainda assim, 41% avaliam negativamente o respetivo poder de compra e um em cada três afirma precisar de apoio financeiro para manter o atual estilo de vida.
A pressão sobre o orçamento está também a mudar as decisões de consumo. Metade dos jovens prevê reduzir despesas, um terço pretende adiar compras consideradas não essenciais e 26% procuram alternativas mais económicas.
Mais de metade tem projetos que gostaria de concretizar, mas para os quais não dispõe atualmente de dinheiro. As viagens lideram a lista, referidas por 47%, seguindo-se a compra de casa, com 30%, e a realização de obras ou renovações, com 25%.
Para avançarem com esses planos, 38% admitem pedir apoio financeiro à família. Quase metade considera recorrer a crédito bancário ou a outra instituição financeira.
A habitação absorve uma parte importante do rendimento
A casa continua a representar um dos principais encargos. Entre os jovens inquiridos, 37% vivem em habitação própria, embora 23% ainda estejam a pagar empréstimo, enquanto 26% vivem numa casa arrendada e 30% permanecem em casa de familiares.
Para metade, a renda ou a prestação da casa absorve até 30% do rendimento mensal. Cerca de um em cada três destina entre 31% e 50% do que ganha à habitação.
A estas despesas juntam-se as contas fixas, como água, eletricidade, gás e supermercado. Para metade dos jovens, estes encargos consomem mais 30% do orçamento.
Apesar das limitações, a saúde, a restauração e o vestuário continuam entre as principais áreas de consumo. Os jovens distinguem-se, contudo, por atribuírem maior importância às viagens, às subscrições digitais e ao desporto.
O lazer é uma das áreas em que o orçamento mais facilmente escapa ao planeado. Cerca de 65% reconhecem gastar mais do que tinham previsto nestas atividades.
As promoções são o principal fator de influência nas compras, referidas por 53% dos jovens. Seguem-se as recomendações de familiares e amigos e as redes sociais. No total, 89% admitem ser influenciados nas suas decisões de consumo.
Combustíveis também obrigam a mudar hábitos
A pressão financeira estende-se às deslocações. Embora 70% dos jovens tenham automóvel, quase três quartos destes afirmam ter alterado os hábitos devido ao aumento dos preços dos combustíveis.
A redução das deslocações é a resposta mais comum, adotada por 52%. Outros 17% passaram a recorrer mais frequentemente aos transportes públicos.
O veículo elétrico surge como uma possibilidade futura para 67% dos jovens. O preço de compra e o custo dos combustíveis são os fatores com maior peso numa eventual decisão.
Poupam 15% do rendimento e investem mais em ETFs
Apesar das dificuldades, 78% dos jovens afirmam conseguir poupar. Em média, reservam cerca de 15% do rendimento mensal.
A preparação da reforma é o principal objetivo de poupança, seguida da criação de um fundo de emergência e da compra de casa.
Entre os 70% que possuem produtos financeiros, os depósitos continuam a ser a opção mais comum, com 40%. No entanto, os ETFs já são escolhidos por 23% e as criptomoedas por 18%.
Nas gerações acima dos 35 anos, predominam opções mais tradicionais, como os depósitos, os Planos de Poupança Reforma e os Certificados de Aforro.
Presente apertado, mas futuro visto com otimismo
Mesmo avaliando de forma menos positiva a situação económica atual, os jovens mostram-se mais confiantes em relação aos próximos anos.
Quase metade acredita que a respetiva situação financeira vai melhorar, comparativamente com 31% entre as pessoas com mais de 35 anos.
Os jovens avaliam também a situação do país de forma ligeiramente mais favorável do que a média nacional. Cerca de 28% acreditam numa melhoria da economia portuguesa e 39% esperam recuperar poder de compra.
“Os dados mostram que muitos jovens portugueses estão a responder ao custo de vida procurando reforçar o poder de compra com um segundo rendimento e ajustando os hábitos de consumo”, afirma Hugo Lousada, diretor de Marketing B2B e B2C do Cetelem.
Segundo o responsável, apesar dos desafios, esta geração continua a poupar, a investir e a preparar o futuro — mesmo que, para lá chegar, tenha de trabalhar em mais do que uma frente.














