Um país com todas as pessoas com o mesmo apelido? Pode acontecer no Japão, revela especialista

De acordo com o diretor do estudo, Hiroshi Yoshida, do Centro de Pesquisa para a Economia e Sociedade dos Idosos da Universidade de Tohoku, ‘Sato’ é o apelido mais comum no país asiático, partilhado por 1,529% dos japoneses em 2023

Francisco Laranjeira

Todos os japoneses vão ter o mesmo apelido daqui a 500 anos, apontou esta segunda-feira um estudo realizado por um centro de pesquisa da Universidade de Tohoku, no norte do Japão: se se mantiver a tendência de declínio demográfico e continuarem as regulamentações civis, só vai ‘sobreviver’ o apelido ‘Sato’.

De acordo com o diretor do estudo, Hiroshi Yoshida, do Centro de Pesquisa para a Economia e Sociedade dos Idosos da Universidade de Tohoku, ‘Sato’ é o apelido mais comum no país asiático, partilhado por 1,529% dos japoneses em 2023.

No estudo, o académico concluiu que as pessoas com este apelido aumentaram 1,0083 vezes entre 2022 e 2023, e fez um levantamento de como esse número evoluiria levando em conta as tendências demográficas de envelhecimento acelerado e diminuição do número de nascimentos, que é o resultado de uma perda líquida contínua de população, destacou a agência ‘efe’.

A partir desses fatores, os cálculos de Yoshida mostraram que, com o sistema atual em que o marido ou a esposa passam a ter o mesmo apelido ao se casarem, até o ano de 2.446 metade da população japonesa terá o apelido ‘Sato’. E, até 2531, todos os japoneses terão o mesmo.

No Japão decorre atualmente um amplo debate sobre a necessidade de alterar as normas civis sobre apelidos. Numerosas vozes, incluindo algumas figuras do partido no poder, exigem que marido e mulher possam manter os nomes de família depois de se casarem ou mesmo terem dois apelidos.

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O estudo, apontou Yoshida, procurou “ilustrar com números o problema colocado pela separação seletiva de apelidos nos casamentos”. “Se todos se tornarem Sato, poderão ter de se dirigir a nós pelos nossos primeiros nomes ou números. Não creio que possamos chamar a isso um mundo bom para se viver”, destacou o especialista.

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