Sem eletricidade, sem luzes, sem água, sem aquecimento: este foi o cenário e a realidade para milhões de famílias na Ucrânia ao longo do último anos. O motivo é bem conhecido, as incessantes ofensivas russas, lançadas com drones e mísseis, contra infraestruturas energéticas essenciais no país.
A cada ataque segue-se o desespero e a luta das famílias, enquanto as reparações dos danos causados levam meses a estarem concluídos. O que fica é um rasto de absoluta escuridão, bem ilustrado por imagens captadas por um satélite da Nasa.
As fotografias revelam a escuridão gradual que foi assolando a Ucrânia, com as luzes a apagarem-se gradualmente até restarem apenas pequenos pontos iluminados. è um retrato vivo do desastre humanitário vivido devido à invasão da Rússia.
O satélite, lançado em 2011, tem um poderoso sistema de visão noturna, capaz de ultrapassar as capacidades do olho humano de ver na escuridão. Assim, o ‘apagão’ de várias cidades ucranianas fica claramente à vista nas imagens, captadas a mais de 800 km de altura, e contrasta com a iluminação verificada nos países vizinhos, como a Polónia ou a Rússia.
“São apagões imensos. É mesmo muito deprimente”, lamenta Eleanor Stokes, cientista que lidera o projeto Black Marble da Nasa, que trata do processamento das imagens captadas à noite, e que mostram uma Ucrânia mergulhada na escuridão.
O New York Times teve acesso às imagens e elabora uma comparação, entre antes da invasão da Rússia à Ucrânia, e as mais recentes imagens captadas, algumas que datam de há poucas semanas.


As fotografias de satélite mostram que as várias cidades ucranianas vão progressivamente ficando com menos luz, à medida que a Rússia reforçava as investidas para destruir centrais elétricas e redes de distribuição de energia.
O cenário é particularmente notório em Kiev, capital da Ucrânia, que passa de uma cidade muito iluminada, em novembro de 2021, para um ínfimo aglomerado de luzes, em janeiro de 2023, parecendo que ‘encolhe’ à medida que a guerra devastava o país.


As poucas cidades que escapam ao apagão, verifica-se serem as que estão sob ocupação russa, nas regiões de Donetsk ou Lugansk.
De referir que nem todos os apagões foram diretamente causados pelos mísseis e drones lançados pela Rússia: o Governo ucraniano viu-se obrigado a instituir racionamentos no consumo de eletricidade, especialmente em períodos mais críticos, como no inverno, para responder às falhas na distribuição, essas sim com origem nos efeitos das ofensivas russas.






