Um mês de conflito na Ucrânia: “Uma guerra selvagem e sem escrúpulos” mas com “indicadores” que fazem antever o fim, diz Amnistia

A Multinews contactou a Amnistia Internacional, para fazer umas balanço do conflito e olhar para o que o futuro pode reservar. 

Simone Silva

Assinala-se esta quinta-feira, dia 24 de março, um mês do início da guerra entre a Rússia e a Ucrânia e a Multinews contactou a Amnistia Internacional, para fazer um balanço do conflito e olhar para o que o futuro pode reservar.

Pedro Neto, diretor executivo da organização em Portugal, faz “um balanço dramático” desta crise. “Tem sido uma guerra selvagem, com pouco ou nenhum respeito pela proteção dos civis. Tivemos corredores humanitários que não foram bem estabelecidos e quando foram as pessoas que fugiam eram atacadas pelos militares russos”, sublinha.



“Tem sido uma guerra de devastação de cidades, com destruição massiva de infraestruturas civis e outras como hospitais, creches, monumentos, teatros. É uma guerra sem escrúpulos, o que tem sido dramático, até pelos milhões de pessoas que estão deslocadas da Ucrânia”, acrescenta o responsável.

Olhando para o futuro, o diretor da Amnistia em Portugal pede que se tenha “otimismo apesar de não haver muitos sinais de esperança. Mas temos que nos focar na urgência da paz. Essa deve ser a principal prioridade, um cessar-fogo imediato e duradouro, para que as partes se encontrem e dialoguem”, defende.

“No século XXI não há razão para um conflito militar deste género, tem que haver sempre mais espaço para o diálogo e para a paz. Porque as perdas de vida humanas são demasiado grandes. Mais de uma centena de bebés e crianças já morreram”, lamenta.

Para Pedro Neto “nada justifica isto, uma invasão destas por parte de um país soberano das Nações Unidas a outro país soberano das Nações Unidas. Portanto, o foco tem de ser o cessar-fogo imediato”, insiste.

“Depois, num outro nível, tem de haver uma investigação do tribunal penal internacional, para que a impunidade tenha cada vez menos espaço. O facto de já haver investigações no terreno dá esperança para um menor espaço da impunidade e um maior espaço da justiça”, refere.

Finalmente, adianta, “numa terceira fase, é preciso continuar a trabalhar e a coordenar as pontes, nomeadamente através das Nações Unidas, que têm de centralizar toda a ajuda humanitária, até às conversações e à mediação para a paz”, resume.

Questionado sobre qual a expectativa para o fim do conflito, em termos temporais, o responsável diz que “não há nenhuma, mas temos alguns indicadores que nos podem ajudar a ver o fim desta guerra”.

“Por exemplo, o custo financeiro para a Rússia já está a ser demasiado grande, é muito superior ao esperado, o que pode contribuir para a disponibilidade para o diálogo e a paz”, destaca.

A par disso, acrescenta, “as sanções também ajudarão” sendo “importante proteger a liberdade de expressão da Rússia, já está muita gente a fugir do país por causa disso e portanto há aqui vários fatores que contribuem para que a construção da paz possa existir”.

“Oxalá todos eles contribuam para a resolução deste conflito o mais rápido possível, mas agora uma expectativa temporal é muito difícil dizer”, conclui Pedro Neto.

 

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.