Um em cada cinco europeus está exposto a níveis perigosos de poluição sonora, um número com tendência para aumentar nos próximos dez anos, sendo o trânsito rodoviário o principal culpado, de acordo com um novo estudo da Agência Europeia do Ambiente, citado pelo ‘The Guardian’.
O ruído em excesso pode causar doenças físicas e mentais, como doenças cardíacas graves, stress e insónias. Cerca de 12 mil mortes prematuras por ano têm como principal causa o ruído na Europa, de acordo com dados da AEA. O ruído contribui ainda para cerca de 48 mil casos de cardiopatia isquémica, uma doença cardíaca.
Também a vida selvagem é afectada pela poluição sonora. Um estudo do ano passado revelou que o ruído dificulta a capacidade de comunicação dos pássaros, podendo mesmo impedi-los de acasalar.
Dentro dos estados membros da UE, Portugal apresenta uma das percentagens mais baixas de ruído na áreas urbanas, tanto rodoviário, como ferroviário e industrial, com valores de 5,2%, 0,4 e 0,0%, respectivamente. Apenas o ruído aéreo é superior à maioria dos outros países europeus, com uma percentagem de 0,9%.
Fora das áreas urbanas, os valores portugueses já são mais elevados mas não preocupantes, segundo os mesmos dados, registando assim uma percentagem de 8,6% no ruído rodoviário, 1,0% no ruído ferroviário e 1,3% no ruído aéreo.
A AEA revelou no relatório que a probabilidade do número de pessoas afectadas por ruídos prejudiciais no futuro aumentar é grande, facto que resulta do aumento da urbanização e mobilidade.
Estima-se que na Europa, 113 milhões de pessoas sejam afectadas por ruídos no trânsito acima dos 55 decibéis, o limite a partir do qual o ruído se torna prejudicial à saúde humana, segundo definiu a Organização Mundial de Saúde (OMS).
Para além disso, 22 milhões de pessoas estão expostas a elevados níveis de ruído ferroviário e outros quatro milhões de pessoas a elevados níveis de ruído aéreo. Estima-se que pelo menos 12.500 crianças europeias, em idade escolar, sintam dificuldades de aprendizagem devido ao ruído aéreo. Outras indústrias com poluição sonora afectam cerca de um milhão de pessoas em todo o continente.
A AEA revelou que o seu trabalho de pesquisa foi prejudicado pelos estados membros da União Europeia que não forneceram os dados exigidos para compor o estudo. Quase um terço dos dados necessários não estava disponível. A AEA referiu que essa situação demonstra que os países europeus não estão a tomar as medidas necessárias para resolver o problema da poluição sonora.




