Um dos templos hindus mais sagrados das montanhas do Himalaia, na Índia, passou a exigir que visitantes consumam uma mistura ritual com urina de vaca como prova de fé antes de poderem entrar.
A medida foi avançada pelo ‘The Independent’ e aplica-se ao templo de Gangotri, no estado de Uttarakhand, um dos principais destinos da peregrinação hindu Char Dham Yatra, que todos os anos atrai milhões de pessoas.
Segundo a publicação britânica, a nova regra obriga os visitantes a ingerirem panchgavya, preparação tradicional feita com cinco produtos derivados da vaca: leite, coalhada, ghee, mel e urina.
Objetivo é travar “não-crentes”
O comité que administra o santuário assumiu que a decisão pretende impedir a entrada de pessoas sem fé hindu.
“Isto serve para manter fora do templo de Gangotri pessoas que não seguem o Sanatana Dharma e não são crentes”, afirmou ao ‘The Independent’ Dharmendra Semwal, presidente do comité.
“Os verdadeiros crentes não terão problema em consumi-lo. Apenas aqueles que entrarem disfarçados, sem fé na religião, terão problemas.”
Segundo o responsável, a mistura será distribuída nos portões do templo antes da entrada dos peregrinos.
Medida arranca com grande peregrinação anual
A nova exigência foi anunciada no arranque da Char Dham Yatra, uma das peregrinações mais importantes do hinduísmo, que liga quatro templos sagrados nas montanhas: Yamunotri, Gangotri, Kedarnath e Badrinath.
A viagem envolve longas deslocações por estrada e, em vários casos, caminhadas exigentes por trilhos íngremes em altitude.
Os números mostram a dimensão do fenómeno religioso. Só o templo de Kedarnath recebeu 1,77 milhões de visitantes no ano passado. Os quatro templos juntos somaram 5,1 milhões de visitantes em menos de sete meses em 2025, segundo dados oficiais citados pelo ‘The Independent’.
Nem todos os templos seguem a mesma linha
Muitos templos hindus na Índia aceitam turistas e visitantes de outras religiões, explicando práticas e tradições a quem entra. Mas outros têm seguido uma linha mais restritiva.
Em março, o comité de Badrinath-Kedarnath proibiu a entrada de não-hindus em até 47 templos sob a sua gestão.
Prática gera críticas
Embora a vaca seja considerada sagrada no hinduísmo e a sua urina seja usada em alguns rituais de purificação, a imposição obrigatória está a gerar controvérsia.
Segundo o ‘The Independent’, críticos consideram que a medida pode excluir não-hindus e até hindus que não sigam esta prática ou não se sintam confortáveis com ela.
Tema também divide a política indiana
O consumo de urina de vaca é tema sensível na Índia moderna, onde grupos ligados ao BJP, partido nacionalista hindu do primeiro-ministro Narendra Modi, promovem frequentemente alegadas propriedades medicinais sem base científica reconhecida.
Durante a pandemia de Covid-19, figuras políticas e ativistas defenderam inclusive o uso da substância para reforçar a imunidade, o que levou especialistas de saúde a emitir alertas públicos.
Resta agora saber como será fiscalizado o cumprimento da nova regra quando a peregrinação atingir o pico e milhões de pessoas passarem pela região.
Para já, o comité garante que nenhum peregrino se opôs ao novo ritual.









