O projecto internacional de infraestruturas lançado pela China «Uma Faixa, Uma Rota», que visa ligar o Sudeste Asiático, Ásia Central, África e Europa, está a suscitar divergências com as potências ocidentais. Segundo o jornal espanhol “El Confidencial”, economistas austríacos propuseram o lançamento da versão europeia da Rota da Seda chinesa, com o valor de um bilião de euros, o equivalente a 7% do PIB dos países da UE – ou seja, não seria preciso um único euro do bolso dos contribuintes europeus. No limite, o Banco Central Europeu seria o garante do projecto.
«Propomos a construção de uma Rota Europeia da Seda que ligue os centros industriais do Ocidente a outras regiões igualmente povoadas mas menos desenvolvidas do Leste do continente. (…) Iria criar não só mais crescimento como emprego», resume o Instituto de Estudos Económicos Internacionais de Viena (WIIW, na sigla em inglês).
Os planos, entregues a Bruxelas em Novembro, incluem 11 mil quilómetros de estradas e caminhos de ferro por toda a Europa, com ligação de Lisboa aos Montes Urais (Rússia), Milão a Volgogrado (Rússia) e a Baku (Azerbaijão).
Para já, o WIIW continua sem resposta, embora o jornal espanhol adiante que, ainda este mês, irá reunir com representantes franceses e alemães.
A iniciativa visa não só estimular o comércio com a Europa de Leste e a Ásia Ocidental, como modernizar as infra-estruturas e as ligações entre os países. Pretende-se também proporcionar à UE um projecto comum que dê esperança e, ao mesmo tempo, competir com a versão chinesa, embora de forma complementar, explica Mario Holzner, director executivo do WIIW.
Estimativas daquele organismo mostram que a Rota Europeia da Seda teria capacidade para gerar um crescimento económico de 3,5% nos países aderentes e ajudaria a criar dois milhões de empregos, ao longo de 10 anos, em todo o continente. E vão mais longe: se o quadro económico for favorável e as taxas de juros permanecerem a em zeros, o emprego poderá disparar para sete milhões de trabalhadores.
Holzner constata ainda que «algumas das infra-estruturas da Europa estão em más condições, mesmo em algumas partes ricas da Europa, como a Alemanha», eo que tem sido feito é «insuficiente». Na mesma linha, prossegue: «Um aumento insignificativo no investimento nas infra-estruturas poderia ajudar a resolver o lento crescimento do continente e a ligar as áreas do Leste».
Recorde-se que, em Março de 2019, a Comissão Europeia classificou o gigante asiático como «um rival económico» e «um adversário sistémico que promove modelos alternativos de governação». Dias antes, o primeiro-ministro português António Costa defendia, em entrevista ao “Financial Times”, que a experiência com o investimento chinês estaria a ser «muito positiva», recusando que se use a China como pretexto para aplicar políticas proteccionistas. «Uma coisa é rastrear para proteger sectores estratégicos, outra coisa é usar isso para abrir a porta ao proteccionismo», atirou.




