Um ano de guerra na Ucrânia: Que impacto teve nos mercados financeiros? Analistas respondem

Já se passou um ano desde que a invasão da Rússia à Ucrânia começou. Faz hoje 365 dias desde que o presidente russo, Vladimir Putin, declarou o início de uma “operação militar especial” na região de Donbass

André Manuel Mendes

Já se passou um ano desde que a invasão da Rússia à Ucrânia começou. Faz hoje 365 dias desde que o presidente russo, Vladimir Putin, declarou o início de uma “operação militar especial” na região de Donbass

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Quando o mundo se preparava para sair vitorioso de uma pandemia, a Guerra veio assolar a sociedade, a economia, os mercados.

 

Um ano depois, que impactos teve a guerra nos mercados financeiros?

Vítor Madeira, analista da XTB, explica que a Rússia era um dos maiores fornecedores de recursos energéticos não só para a Europa, mas também para muitas outras economias em todo o mundo. “Os mercados financeiros temiam que o conflito no final de fevereiro de 2022 pudesse travar as exportações de bens essenciais da Rússia. O próprio Kremlin decidiu utilizar o gás como um instrumento de chantagem para a Europa. Contudo, após o choque inicial dos preços nos mercados do gás, petróleo e carvão, os preços caíram e estabilizaram à medida que a Europa encontrava outros fornecedores destas matérias-primas”

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O analista sublinha que Putin queria que a Europa “congelasse durante o Inverno”, mas a resposta do ocidente veio com a redução do consumo, a diversificação de fornecedores e o tempo mais quente do que o esperado, que empurrou os preços para baixo dos níveis anteriores à guerra.

Atualmente gás natural TTF está 42% mais barato, o petróleo Brent 17% mais barato e o carvão 8% mais caro. No que toca às matérias-primas agrícolas: o trigo está 15% mais barato, o milho ao mesmo preço e o óleo de girassol 5.2% mais caro. “A partir destes dados, podemos perceber que os mercados financeiros já digeriram o conflito da Ucrânia e no que toca às matérias energéticas até já há quebras bastante significativas”, destaca.

Para Ricardo Evangelista, analista da ActivTrades, “a guerra provocou instabilidade geopolítica, e também um choque nos mercados globais de energia e matérias primas alimentares, o que exacerbou a inflação que já se fazia sentir. Os efeitos sentiram-se nos mercados financeiros sobretudo através de subidas significativas dos preços das matérias primas energéticas, como o petróleo e o gás, mas também pela diminuição do apetite pelo risco que gerou perdas nas ações. Pressionados pelas subidas dos preços, os bancos centrais viram-se obrigados a subir as taxas de juros, o que provocou algum abandono de ativos de maior risco, como as ações”.

 

Um ano depois, qual o sentimento dos investidores?

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O sentimento dos investidores tem sido positivo nestes últimos meses, diz Vítor Madeira, sublinhando que os recuos inflacionários, as políticas monetárias apertadas e o nível de emprego forte têm sido os motores para impulsionar o sentimento dos investidores. “Os principais índices acionistas europeus têm estado a subir e em alguns casos já atingiu máximos históricos (exemplo CAC40 e FTSE100). Adicionalmente, os apetites por risco aumentaram, pois tem havido um posicionamento mais agressivo em ativos de risco. Contudo, é preciso notar que ainda existem problemas graves inflacionários e riscos de abrandamento económico, o que leva a que os investidores de longo prazo tenham ainda alguma cautela em relação ao posicionamento no mercado”, explica.

Ricardo Evangelista concorda com a ideia de que, de momento, o sentimento é mais positivo. “Os preços da energia regressaram a níveis pré-guerra e a perspetiva de uma postura mais benigna dos bancos centrais tem suportado a recuperação dos mercados de ações”, destaca.

Os especialistas concordam que, neste momento não, os mercados estão mais focados em outras preocupações do que a guerra, como por exemplo a postura dos bancos centrais.

 

Os bancos centrais e o combate à inflação

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Henrique Tomé, analista da XTB, acredita que a intenção dos Bancos Centrais é clara, “o combate à inflação passará por um aumento dos juros para arrefecer a atividade económica a fim de se conseguir travar a subida dos preços”. Acrescenta ainda que, apesar da guerra no leste da europa, o compromisso do BCE mantém-se no que diz respeito em trazer a taxa de inflação novamente para valores perto dos 2%.

Para Ricardo Evangelista, “a economia tem dado sinais de uma resiliência que poucos esperavam, o que torna mais difícil o combate à inflação. Assim, dúvidas persistem quanto até onde os bancos centrais estarão dispostos a ir, em termos de subida das taxas de juro”.

 

O que esperar para 2023?
O especialista da ActivTrades explica que um cenário ideal, e também benigno para os mercados, seria o fim da guerra, “com uma retirada Russa e possivelmente uma mudança de regime em Moscovo que permita alguma harmonia com o ocidente”. Por outro lado, um agravar do conflito poderia ser bastante mau para os mercados financeiros e provocar perdas importantes nas ações e oferecer suporte a ativos de refúgio como o ouro.

Já Henrique Tomé considera que ainda é cedo para antecipar os cenários possíveis, no entanto, “o fim da guerra poderia provocar uma reação francamente positiva nos mercados, sobretudo nos índices europeus”.

 

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