Os países da União Europeia vão votar esta quarta-feira as contra-medidas iniciais às tarifas impostas por Donald Trump: a aprovação é garantida, exceto no caso improvável de uma maioria qualificada de 15 membros da UE, representando 65% da população da UE, se lhes opor. Entrariam em vigor em duas fases, uma parte mais pequena a 15 de abril e o restante um mês depois.
A UE pretende apresentar uma frente unida contra as tarifas do presidente dos EUA, Donald Trump, provavelmente aprovando um primeiro conjunto de contra-medidas direcionadas a até 28 mil milhões de dólares em importações dos Estados Unidos, que vão desde fio dentário a diamantes.
Tal medida significaria que a UE se juntaria à China e ao Canadá na imposição de tarifas retaliatórias aos Estados Unidos, numa escalada antecipada do que alguns temem que se tornará uma guerra comercial global, tornando os produtos mais caros para milhares de milhões de consumidores e levando as economias ao redor do mundo à recessão.
Recorde-se que o bloco de 27 países enfrenta tarifas de importação de 25% sobre o aço, o alumínio e os automóveis, além de tarifas “recíprocas” de 20% a partir desta quarta-feira para quase todos os outros produtos. As tarifas de Trump cobrem cerca de 70% das exportações da UE para os Estados Unidos — no valor total de 532 mil milhões de euros no ano passado — com prováveis impostos sobre o cobre, produtos farmacêuticos, semicondutores e madeira ainda por vir.
A Comissão Europeia, que coordena a política comercial da UE, propôs aos Estados-membros na passada segunda-feira uma lista de produtos americanos que serão afetados por tarifas extras em resposta a Trump sobre o aço e o alumínio, em vez de impostos recíprocos mais amplos: deve incluir carne, cereais, vinho, madeira e roupa dos EUA, bem como pastilha elástica, fio dentário, aspiradores e papel higiénico.
Um produto que recebeu mais atenção e expôs discórdia no bloco é o bourbon. A Comissão reservou uma tarifa de 50%, o que levou Trump a ameaçar aplicar uma contra-tarifa de 200% sobre as bebidas alcoólicas da UE se o bloco avançar.













