A União Europeia (UE) vai trocar uma missão de resgate de migrantes no Mediterrâneo (a única na UE com esse objectivo) por uma nova, ainda sem nome escolhido ou data de começo, mas cujo propósito é bem diferente: o controlo de armas. A Sophia que nasceu em 2015 vai continuar no mar até Março. Depois, acabou, avança o “Expresso”.
«Os ministros chegaram a um acordo político de lançar uma nova missão no Mediterrâneo com o intuito de implementar o embargo às armas imposto à Líbia pelo conselho de segurança das Nações Unidas», lê-se nas conclusões do encontro que esta segunda-feira reuniu os ministros dos Negócios Estrangeiros em Bruxelas, citadas pelo “Expresso. «Secundariamente, as funções desta missão pode incluir o combate ao crime organizado responsável pelas migrações, assim como o treino da Guarda Costeira e da Marinha líbia.»
Josep Borrell, responsável pela pasta dos Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança da UE, explicou que «a operação Sophia funcionou muito bem enquanto esteve operacional. Actualmente, na teoria, ainda está viva mas sem navios», recordando que no último ano a Sophia não tinha navios no Mediterrâneo. Aliás, a renovação da Sophia e a criação de uma missão para o controle de armas foi uma opção recusada por vários Estados-membros, que defendem não ser necessário.
Outra das preocupações levantadas ainda por alguns ministros foi se a existência de meios marítimos se poderia tornar num «factor de atracção» para que mais pessoas tentem atravessar ilegalmente o Mediterrâneo. «No caso de se verificar o factor de atracção – e aqui há diferentes opiniões, pois um acreditam que haverá e outros acreditam que não se vai verificar porque estamos a falar da zona leste do Mediterrâneo e as rotas migratórias vão de oeste para o centro -, veremos o que acontece.»
Actualmente, no centro do Mediterrâneo continua apenas a operação Themis, da responsabilidade da Frontex (Agência Europeia de Gestão da Cooperação Operacional nas Fronteiras Externas), com três meios aéreos e cinco marítimos, que prevê o apoio a Itália na vigilância e controle de fronteiras, assim como o salvamento e resgate no centro do Mediterrâneo. Por outro lado, restam as organizações não governamentais com navios de resgate e salvamento. Chegaram a ser, pelo menos, dez, mas hoje são menos de metade.
Em declarações ao “Expresso”, os Médicos Sem Fronteiras, uma das organizações que participam nos salvamentos naquela rota, lamentam a decisão da UE. «Parece considerar que o facto de as pessoas se estarem a afogar no mar é um preço aceitável para impedir a chegada de migrantes e refugiados à Europa. É preciso que haja capacidade de buscas e salvamento no mar e um mecanismo de desembarque seguro e adequado que dê às pessoas a oportunidade de requerer asilo.»
Números do Missing Migrants Project, um portal de dados coordenado pela Organização Internacional de Migração, consultados pelo semanário, revelam que este ano já morreram seis pessoas na travessia. Em 2014 foram 3147 pessoas. Em 2015, 3149. O ano de 2016 foi pior: 4791. Em 2017 foram 2853, enquanto em 2018 o número de mortes ascendeu a 1314. No ano passado registaram-se 1262 mortes. Até esta terça-feira entraram na Europa pela rota migratória mais mortal do mundo 2520 pessoas.









