UE prepara-se para uma crise prolongada de refugiados que pode deslocar até 10 milhões de pessoas

Com Moscovo atolada em diferentes frentes, em grande parte graças à resistência das forças ucranianas, a União Europeia teme que o conflito se possa prolongar por meses ou mesmo anos.

Simone Silva

Um mês após a invasão russa da Ucrânia, a crise de refugiados parece arrastar-se no tempo. Com Moscovo atolada em diferentes frentes, em grande parte graças à resistência das forças ucranianas, a União Europeia teme que o conflito se possa prolongar por meses ou mesmo anos, deslocando até 10 milhões de pessoas, segundo o ‘El País’.

Os 27 estados-membros, que já dispõem de 17 mil milhões de euros fornecidos pela Comissão e do apoio da diretiva de proteção internacional, procuram agora soluções financeiras e mecanismos de distribuição solidária para refugiados, de forma a fornecer uma resposta a longo prazo.



A guerra na Ucrânia já causou o maior êxodo na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, com quase 3,9 milhões de pessoas a cruzar as fronteiras do seu país em busca de refúgio na UE. Os números podem subir para oito ou até 10 milhões nos próximos meses, segundo fontes ouvidas pelo jornal, que citam números da ONU.

“Temos que nos preparar para algo estrutural”, alertam. O mesmo aviso foi deixado ontem em Bruxelas, pela Comissária Europeia para o Interior, Ylva Johansson: “Não sabemos qual será o próximo passo que [o presidente russo Vladimir] Putin vai dar. Temos de estar preparados”, referiu. 

Estas declarações surgiram após uma reunião extraordinária dos Ministros do Interior da UE, convocada para responder à emergência humanitária. Johansson pediu para que fossem preparados “planos de contingência caso a situação se agrave”.

Na reunião, os ministros aprovaram várias ações para amenizar o drama humanitário. Entre os pontos, apela-se à criação de uma plataforma europeia única e centralizada para o registo de recém-chegados, a fim de evitar duplicações e erros de cálculo.

Pede-se também para coordenar o transporte e a informação entre os diferentes parceiros da comunidade, através de pontos nevrálgicos para onde se podem dirigir os refugiados que pretendem viajar pelo território Schengen.

Os Estados-Membros também concordaram em criar uma espécie de índice de países com base na sua capacidade de acolhimento, para incentivar o movimento dos ucranianos em direção aos mesmos, tirando a pressão dos Estados mais saturados.

Está ainda prevista a implementação de um plano de combate ao tráfico de seres humanos. Mesmo antes da guerra, a Ucrânia estava entre os cinco países com maior tráfego de pessoas para a UE, com as ONGs que atuam no terreno, a alertar para possíveis situações de assédio.

Por último, os estados-membros também procuram uma solução comum e coordenada para o acolhimento das crianças, que representam mais de metade das chegadas ao território comunitário.

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