A Ucrânia poderá continuar a receber financiamento de países da União Europeia para sustentar o esforço de guerra contra a Rússia, mesmo que permaneça bloqueado o empréstimo europeu de 90 mil milhões de euros prometido a Kiev. A informação é avançada pelo ‘POLITICO’, que cita diplomatas europeus envolvidos nas negociações.
Os líderes europeus vão reunir-se numa cimeira em Bruxelas na próxima semana com o objetivo de convencer o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, e o seu homólogo eslovaco, Robert Fico, a levantarem o bloqueio ao empréstimo, que deverá assegurar cerca de dois terços do financiamento de que a Ucrânia necessita para continuar a combater a invasão russa até ao final de 2027.
No entanto, vários países do Norte e do Báltico já estão a preparar um plano alternativo caso o impasse se mantenha. Esse mecanismo prevê a concessão de empréstimos bilaterais à Ucrânia que poderiam garantir cerca de 30 mil milhões de euros, permitindo financiar as necessidades mais imediatas de Kiev durante a primeira metade do ano.
Por se tratar de empréstimos concedidos diretamente pelos Estados-membros, este mecanismo não exigiria aprovação formal das instituições europeias, o que permitiria contornar um eventual veto dentro da União.
Noutra frente, o ministro das Finanças dos Países Baixos informou os parceiros europeus de que o seu Governo está preparado para enviar cerca de 3,5 mil milhões de euros por ano em apoio bilateral à Ucrânia até 2029.
Apesar de o empréstimo europeu de 90 mil milhões de euros já ter sido aprovado politicamente em dezembro, a sua execução depende ainda da aprovação unânime de legislação complementar pelos Estados-membros, o que permite a Budapeste ou a Bratislava bloquearem a libertação dos fundos.
O comissário europeu para a Economia, Valdis Dombrovskis, admitiu dificuldades nas negociações, mas garantiu que Bruxelas continuará a procurar uma solução. A intenção é assegurar que o financiamento chegue a Kiev “de uma forma ou de outra”.
A necessidade de financiamento imediato diminuiu recentemente depois de o Fundo Monetário Internacional aprovar um empréstimo de 8,1 mil milhões de dólares (7,4 mil milhões de euros), que permitiu disponibilizar de imediato cerca de 1,5 mil milhões de dólares (1,38 mil milhões de euros). Ainda assim, fontes familiarizadas com as contas ucranianas indicam que o país terá liquidez apenas até ao início de maio.
De acordo com o ‘POLITICO’, o bloqueio político surgiu após um ataque de drone russo que danificou o oleoduto Druzhba, responsável pelo transporte de petróleo russo através da Ucrânia até à Hungria e à Eslováquia. Budapeste acusa Kiev de atrasar deliberadamente as reparações por motivos políticos, acusação que o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky rejeita.
Zelensky afirma que os trabalhos de reparação têm sido dificultados por novos ataques russos ao local, tendo admitido que o fluxo de petróleo poderia ser restabelecido num prazo de um mês ou mês e meio.
O impasse surge também num momento politicamente sensível na Hungria, onde Viktor Orbán enfrenta eleições nacionais marcadas para 12 de abril. O primeiro-ministro tem adotado um discurso cada vez mais crítico em relação à Ucrânia durante a campanha eleitoral.
Diplomatas europeus admitem que o cenário político poderá mudar após as eleições. Caso a oposição vença, o novo Governo poderá mostrar-se mais disponível para aprovar o empréstimo europeu à Ucrânia, sobretudo se estiverem em causa incentivos financeiros provenientes de Bruxelas.
Mesmo que Orbán se mantenha no poder, alguns responsáveis europeus acreditam que o bloqueio poderá perder intensidade depois do período eleitoral, quando a pressão política interna diminuir.
Entretanto, Bruxelas considera que a posição do primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, poderá ser mais facilmente negociada. Após um encontro com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o líder eslovaco indicou que as discussões sobre o restabelecimento do trânsito de petróleo russo através da Ucrânia estão a evoluir.














