UE: Pandemia castiga salários baixos. Em Portugal, mulheres e jovens lideram perda de rendimentos

A atual crise pandêmica do COVID-19 e a paralisação económica devido a medidas restritivas levaram a um aumento sem precedentes no número de trabalhadores ausentes do trabalho.

Sónia Bexiga

A atual crise pandêmica do COVID-19 e a paralisação económica devido a medidas restritivas levaram a um aumento sem precedentes no número de trabalhadores ausentes do trabalho e a um aumento no número de empregos perdidos.

Segundo análise do Eurostat, divulgada esta quinta feira, o impacto da crise está distribuído de forma muito desigual entre os Estados-Membros e é particularmente forte para os subgrupos mais vulneráveis ​​da população ativa, com os baixos salários a ter perdas 3 a 6 vezes maiores do que os altos salários em metade dos Estados-Membros da União Europeia (UE).

O Eurostat detalha ainda que em todos os países a diminuição em termos percentuais é maior para o grupo de baixa renda, sendo que as maiores diferenças registaram-se em Portugal, Espanha e Luxemburgo (até 8 pp).

Olhando mais de perto para as pessoas de baixa renda, verifica-se que as perdas de renda devido à transição para o desemprego levaram a reduções em todos os países, exceto na Dinamarca. As reduções mais acentuadas foram registadas por Portugal e Espanha (-3,5% e -4,3%, respetivamente), enquanto as reduções mais baixas foram registadas nos Países Baixos e na Hungria (menos de -0,1% para ambos).

Por outro lado, os governos nacionais implementaram ou ativaram apoios ao trabalho de curto prazo para enfrentar os desafios económicos da Covid-19, em particular, políticas para preservar empregos (esquemas de compensação salarial). Estes contribuíram para mitigar a perda de rendimento em todos os países da UE, com a perda global de rendimento reduzida para metade.

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As contas do gabinete de estatística mostram assim que os regimes de compensação salarial atenuaram a perda de rendimento para cerca de -2% a nível da UE em 2020.

Já o rendimento total do emprego a nível da UE diminuiu -4,8% em 2020, com as maiores diminuições a prenderem-se com ausências e redução de horas. O número de pessoas ausentes ou trabalhando com horas reduzidas no meio do bloqueio em abril varia entre os países de 1% a 50% nos países mais afetados. 

Além disso, em cerca de metade dos países (12), a proporção de pessoas que trabalham 80% ou menos horas é superior a 20%, enquanto em outros 11 países essa proporção varia entre 11% e 20%. Isto traduz-se numa perda de 4,2% nos rendimentos do emprego a nível da UE, devido a faltas e redução da jornada de trabalho. 

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As maiores perdas totais de renda são estimadas para a Croácia (10,6%), Grécia (7,7%), França (7,6%) e Chipre (7,4%). A diminuição do rendimento devido à perda de empregos é muito menos pronunciada, com diminuições mais elevadas registadas na Bulgária (-1,9%) e no Luxemburgo (-1,8%).

As maiores diminuições devido à perda de empregos na UE são observadas para os trabalhadores temporários e os jovens empregados (com idades entre 16 e 24 anos). A perda de renda estimada é mais de duas vezes maior para trabalhadores jovens (16-24) do que para trabalhadores adultos (25-65). As mulheres são provavelmente mais afetadas, principalmente devido a uma maior prevalência de mulheres nos setores afetados.

As mulheres têm maiores perdas de renda em cerca de metade dos países da UE, com as maiores diferenças na República Checa, Grécia, Eslováquia, Lituânia e Portugal.

Ao focar nas perdas de renda devido ao desemprego, as diferenças são ainda mais pronunciadas. Estendendo a análise ao nível do país, fica claro que os jovens empregados foram amplamente mais afetados pelas perdas de empregos, possivelmente devido ao alto número de jovens empregados trabalhando em setores fortemente afetados pelos bloqueios da Covid-19. 

A renda do trabalho entre os jovens diminuiu em todos os países. As reduções mais acentuadas foram relatadas por Luxemburgo, Eslovênia, Lituânia, Bulgária, Portugal e República Checa (mais de -10 pp para todos os sete), enquanto as reduções mais baixas foram registadas na Áustria, Holanda e Alemanha (menos de -3% para todos os três).

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