“UE nunca se poderá conformar com qualquer tipo de ameaça”: António Costa avisa Trump sobre Gronelândia e defende investimento europeu em Defesa

António Costa, presidente do Conselho Europeu, defendeu, em entrevista à rádio ‘Renascença’, que o planeado investimento da União Europeia na Defesa não implica comprometer a Europa social

Executive Digest

António Costa, presidente do Conselho Europeu, defendeu, em entrevista à rádio ‘Renascença’, que o planeado investimento da União Europeia na Defesa não implica comprometer a Europa social.

“Essa ideia de que é necessário escolher entre investir em Defesa e em coesão social é uma escolha errada. Temos de reforçar a coesão social para ter capacidade de sustentar a nossa defesa coletiva, para que as cidades tenham energia, força e determinação para enfrentar os desafios da defesa”, referiu o antigo primeiro-ministro socialista, em Paris, para participar no encontro ‘SOS Oceano’.



A Defesa, referiu, “é uma parte da questão da segurança. Tem de ser uma prioridade, que não pode ficar esquecida por estas emergências dos conflitos armados neste momento”. “E é por isso que as primeiras medidas apresentadas pela Comissão Europeia visam, precisamente, dar margem orçamental para os Estados poderem investir mais em Defesa, sem terem de sacrificar outros investimentos”.

“Isso faz parte do coração do nosso modelo social que tem de ser preservado. E é mesmo para a defesa desse modelo social que nós temos de garantir a necessária Defesa”, sublinhou.

A questão da Gronelândia, alvo da cobiça de Donald Trump, mereceu uma resposta contundente de António Costa. “É uma parte do território da Dinamarca e o princípio de integridade territorial tem de ser preservado onde quer que seja. Na Ucrânia, na República Democrática do Congo e, permita que diga, por melhor razão, tem de ser preservada num Estado-membro da União Europeia”, apontou, reforçando: “A União Europeia nunca poderá conformar-se com qualquer tipo de ameaça sobre a integridade territorial de um Estado-membro, designadamente, neste caso, da Dinamarca.”

No entanto, a resposta da UE à questão não tem sido particularmente alinhada, com destaque para Viktor Orbán, primeiro-ministro da Hungria. António Costa tem outra leitura. “Quando há 26 de um lado e um do outro não há propriamente uma divisão. Há um que está isolado. Em segundo lugar, a divisão não é sobre a Ucrânia, mas sobre qual a melhor forma de chegar mais rapidamente à paz na Ucrânia. Os 26, a União Europeia acredita que a melhor forma de chegar à paz é apoiar a Ucrânia para que esta não tenha de capitular. Porque a paz não pode ser a paz da rendição, não pode ser a paz dos cemitérios”, concluiu.

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