UE lança hoje estratégia para reduzir dependência da China nas matérias-primas críticas

Von der Leyen alertou que “mais de 90% do nosso consumo de ímanes de terras raras provém de importações da China”, sublinhando os riscos para a autonomia industrial europeia

Francisco Laranjeira
Dezembro 3, 2025
8:00

A União Europeia vai apresentar, esta quarta-feira, o seu plano para desenvolver produção de terras raras e outros metais críticos, conhecido como RESourceEU, num esforço para diminuir a dependência das matérias-primas críticas provenientes da China, essenciais para setores estratégicos como o automóvel, a Defesa e as tecnologias verde e digital.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a renovação da estratégia surge como resposta direta à decisão chinesa, tomada em outubro, de aplicar controlos mais apertados às exportações destes minerais. A medida terá sido motivada pelas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos, mas o impacto atinge também a Europa.

De acordo com a ‘Euronews’, Von der Leyen alertou que “mais de 90% do nosso consumo de ímanes de terras raras provém de importações da China”, sublinhando os riscos para a autonomia industrial europeia.

Aposta em parceiros alternativos e coordenação global

No curto prazo, a Comissão pretende manter o diálogo com Pequim, mas prepara igualmente uma estratégia mais ampla para diversificar fornecedores. Entre os países com os quais a UE irá reforçar parcerias estão a Ucrânia, Austrália, Canadá, Cazaquistão, Usbequistão, Chile e Gronelândia.

“O objetivo é garantir o acesso a fontes alternativas de matérias-primas críticas a curto, médio e longo prazo para as nossas indústrias europeias”, afirmou von der Leyen numa conferência em Berlim.

RESourceEU segue o modelo do REPowerEU

O novo programa, designado RESourceEU, inspira-se no REPowerEU, a iniciativa lançada após a invasão russa da Ucrânia para reduzir a dependência energética de Moscovo. Agora, a lógica é aplicada ao acesso a minerais essenciais.

Von der Leyen destacou que a primeira etapa passa por potenciar a economia circular, “não por razões ambientais, mas para explorar as matérias-primas essenciais já contidas nos produtos vendidos na Europa”.

A estratégia europeia inclui ainda compras conjuntas, constituição de reservas e o reforço do investimento em projetos estratégicos para a produção e transformação de matérias-primas críticas dentro do território europeu. O objetivo é consolidar uma cadeia de abastecimento mais autónoma e resistente a choques geopolíticos.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.