A crise alimentar na Ucrânia, mesmo após a assinatura do acordo para a exportação de cereais com a Rússia, mediado pela Turquia, pode agravar-se seriamente no próximo ano. Os agricultores estão já a planear abandonar o cultivo de alguns cereais, devido aos efeitos devastadores da guerra em todo o território ucraniano, o que poderá levar à falta de pão e de alguns cereais nas prateleiras dos supermercados, já no arranque de 2023.
O aviso para este cenário parte de Dmytro Kushnir, diretor da HarvEast Holding, uma das maiores empresas agrícolas da Ucrânia, sediada em Donestk, em entrevista à ucraniana Agronews.
Segundo o responsável, várias empresas e agricultores já têm definidos planos para cortar a produção de cevada e centeio, já que “os custos de produção destes grãos aumentaram e fazem com que se tenham tornado não-rentáveis”. Os cortes poderão estender-se a outros cereais.
Assim, alguns dos produtos mais procurados pelos ucranianos, como o pão de centeio, a sêmola de cevada ou a cevada perolada, parte de pratos típicos da gastronomia ucraniana, deverão deixar de ser vendidos já muito em breve com a chegada de 2023.
“A inflação também contribuiu. O preço envolvido nas várias componentes do processo de produção destes cereais disparou, e também há o colapso das redes de distribuição e logística”, lamenta Kushnir.
Ao mesmo tempo, os agricultores também não estão a conseguir escoar o produto, pelo menos fazendo um lucro que seja mínimo, já que, com a situação da guerra e da inflação, “ninguém vai comprar estes cereais ao seu preço real”.
O empresário agrícola garante que os agricultores e empresas vão começar a recusar plantar e produzir cevada e centeio por completo, o que levará à escassez ou mesmo desaparecimento de pães e outros derivados destes cereais.






