O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, anunciou esta sexta-feira um conjunto de medidas destinadas a reforçar a capacidade das Forças Armadas, que passam pelo aumento dos salários dos militares, pela criação de novos modelos de contrato para tropas de combate e pela intensificação do recrutamento de voluntários estrangeiros. A decisão surge numa altura em que o país continua a enfrentar dificuldades em assegurar efetivos suficientes, mais de quatro anos após o início da guerra com a Rússia.
As medidas foram anunciadas por Zelensky após uma reunião com membros do Governo dedicada ao financiamento da defesa e à transformação das Forças Armadas ucranianas.
Segundo o chefe de Estado, foi alcançado um entendimento sobre a forma de reforçar a sustentabilidade financeira do setor da defesa e de prosseguir a modernização do Exército.
“Chegámos a acordo sobre a forma de aumentar a resiliência financeira da nossa defesa e de continuar a transformação do Exército ucraniano”, afirmou Zelensky na sua habitual intervenção diária.
O Presidente acrescentou que o Governo irá aprovar um mecanismo específico para concretizar estas medidas e garantiu que os primeiros pagamentos ao abrigo do novo modelo deverão começar ainda durante o mês de junho.
Salário-base dos militares sobe um terço
Entre as principais alterações está o aumento do salário-base dos militares em cerca de um terço.
De acordo com Zelensky, a remuneração mínima passará para 30 mil hryvnias mensais, o equivalente a cerca de 700 dólares, aproximando-se assim do salário médio praticado na Ucrânia, que aumentou de forma gradual ao longo do conflito devido à escassez de trabalhadores em vários setores da economia.
O reforço salarial será particularmente significativo para os militares destacados na linha da frente. Os soldados da infantaria em operações de combate passarão a receber, em média, cerca de 300 mil hryvnias por mês, aproximadamente 7.000 dólares, quando atualmente os valores variam entre 100 mil e 150 mil hryvnias mensais.
Novos contratos para missões de combate
O plano apresentado pelo Governo prevê igualmente a introdução de uma nova modalidade de contratos de duração limitada destinados às funções de combate.
Os militares poderão celebrar contratos com duração de 10, 14 ou 24 meses, numa medida que procura tornar o serviço militar mais flexível e aumentar a capacidade de recrutamento das forças ucranianas.
Kiev quer captar mais voluntários estrangeiros
Além do reforço dos incentivos financeiros aos militares ucranianos, Zelensky anunciou que pretende ampliar significativamente o recrutamento de cidadãos estrangeiros para integrar as Forças Armadas.
“Dei instruções para criar significativamente mais oportunidades de recrutamento de voluntários estrangeiros para o Exército ucraniano, e haverá mais canais de recrutamento para esse efeito”, declarou.
Segundo estimativas divulgadas por publicações militares ucranianas, cerca de 10 mil voluntários provenientes de mais de 70 países juntaram-se ao Exército da Ucrânia desde o início da invasão russa.
Reforço da despesa na defesa
O anúncio surge depois de o Governo ucraniano ter revelado, em maio, que estava a estudar novas medidas para aumentar o número de militares, numa altura em que as negociações destinadas a encontrar uma solução para o conflito permanecem bloqueadas.
Paralelamente, a Ucrânia assegurou um empréstimo de 90 mil milhões de euros junto da União Europeia, financiamento que permitirá elevar a despesa com a defesa para um valor recorde de 4,4 biliões de hryvnias durante este ano, o equivalente a cerca de 97 mil milhões de dólares.
Segundo o Executivo, os primeiros desembolsos desse financiamento deverão começar ainda durante o presente mês, permitindo suportar o reforço do investimento nas Forças Armadas e a implementação das novas medidas agora anunciadas.













