Ucrânia: Trump diz a Zelensky para ceder Crimeia e abandonar ambição de entrar na NATO antes de encontro na Casa Branca

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, chegou este domingo a Washington, onde se prepara para um encontro decisivo com Donald Trump, acompanhado por uma delegação de líderes europeus.

Pedro Gonçalves
Agosto 18, 2025
10:53

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, chegou este domingo a Washington, onde se prepara para um encontro decisivo com Donald Trump, acompanhado por uma delegação de líderes europeus. A reunião, prevista para esta segunda-feira na Casa Branca, acontece num momento em que o presidente dos Estados Unidos intensifica a pressão sobre Kiev para aceitar condições impostas por Moscovo para terminar a guerra com a Rússia.

Entre estas condições, Trump defendeu publicamente que a Ucrânia deverá desistir da Crimeia, anexada ilegalmente pela Rússia em 2014, e abdicar da entrada na NATO. A posição do chefe de Estado norte-americano, expressa dois dias após se ter reunido com Vladimir Putin, aproxima-se das exigências que o Kremlin tem colocado desde o início do conflito.

No domingo à noite, Trump antecipou o tom das conversas ao afirmar que Zelensky deverá aceitar alguns dos pontos exigidos por Moscovo para viabilizar um acordo de paz. “A Ucrânia pode acabar com a guerra se aceitar ceder a Crimeia e comprometer-se a nunca aderir à NATO”, escreveu o presidente norte-americano na rede TruthSocial.

As declarações foram prontamente destacadas por Kirill Dmitriev, um dos principais assessores de Putin e chefe do fundo soberano russo, que partilhou a publicação de Trump na rede X. “Trump e a sua equipa estão a pressionar para uma solução real. Que prevaleçam a resolução de problemas e a paz neste grande dia”, comentou Dmitriev, referindo-se ao encontro marcado com Zelensky e os líderes europeus.

Zelensky rejeita cedências territoriais
Em resposta, Zelensky reiterou que a Constituição da Ucrânia não permite abrir mão de território, sublinhando que a soberania e a integridade territorial permanecem como linhas vermelhas intransponíveis. “É impossível ceder ou trocar território. A paz tem de ser duradoura”, declarou o presidente ucraniano no domingo.

Zelensky defendeu ainda que quaisquer garantias de segurança terão de ser mais robustas do que as anteriores, que falharam em 2014, ano em que a Crimeia foi anexada pela Rússia. O líder ucraniano vai reunir-se primeiro com Trump no Salão Oval antes de se juntar à delegação europeia para discussões mais alargadas.

Garantias de segurança em cima da mesa
Segundo informações avançadas pela CNN, o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, confirmou que Putin aceitou que a Ucrânia receba garantias de segurança internacionais como parte de um eventual acordo de paz. Essas garantias poderiam ser semelhantes ao Artigo 5.º do tratado da NATO, que estabelece que um ataque contra um aliado é considerado um ataque contra todos.

“Putin aceitou permitir que os EUA ofereçam proteção à Ucrânia similar à prevista no Artigo 5.º, como forma de contornar a exigência de que o país nunca se torne membro da NATO”, explicou Witkoff à CNN. O enviado acrescentou ainda que Moscovo se comprometeu a legislar uma promessa de não voltar a invadir a Ucrânia ou outro país europeu, embora estas garantias ainda não tenham sido formalmente reconhecidas pelo Kremlin.

Força europeia de dissuasão
No domingo, os líderes britânico e francês confirmaram que estão prontos para enviar uma força de dissuasão para a Ucrânia assim que os combates cessarem. Essa presença teria como objetivo desencorajar futuras agressões russas, mas dependeria de um compromisso norte-americano. Apesar disso, Trump tem-se mostrado relutante em mobilizar tropas ou recursos diretos dos EUA para o terreno.

Em paralelo, fontes europeias citadas pela CNN confirmaram que parte das conversas deste fim de semana incluiu a possibilidade de garantias de segurança “do tipo Artigo 5.º”, oferecidas por países europeus e pelos EUA, sem que a NATO esteja formalmente envolvida.

Horas antes do encontro, Trump destacou nas redes sociais a dimensão da reunião. “Nunca tivemos tantos líderes europeus de uma só vez na Casa Branca”, escreveu, descrevendo o dia como “muito importante” e afirmando ser “uma grande honra recebê-los”.

Na sexta-feira, Trump e Putin encontraram-se no Alasca, num encontro considerado sensível e de alto risco diplomático. Embora não tenha sido alcançado um acordo final, a Casa Branca assegurou que houve “progressos significativos” em direção a um possível entendimento.

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