A Ucrânia afirma ter atingido mais nove petroleiros russos da chamada “frota-sombra” no mar de Azov durante a madrugada desta quarta-feira, prolongando uma operação marítima destinada a travar o abastecimento de combustível à Crimeia ocupada.
Segundo o ‘Euromaidan Press’, Robert Brovdi, conhecido como “Madyar” e comandante das Forças de Sistemas Não Tripulados da Ucrânia, afirmou que as equipas de drones atacaram nove navios durante a noite. O balanço anunciado por Kiev sobe assim para 21 embarcações atingidas em 72 horas: 19 petroleiros sob sanções, um cargueiro e um ferry em Kerch.
9 more Russian shadow fleet tankers hit in Azov Sea last night
Drone forces commander Robert Brovdi says that brings the toll to 21 vessels in 72 hours: 19 tankers hauling fuel toward occupied Crimea, one cargo ship, and one ferry in the occupied port city of Kerch.
📹 Robert… pic.twitter.com/l8ISyOpjES
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A operação começou na passada segunda-feira e, nos dois primeiros dias, os drones ucranianos atingiram 12 petroleiros que transportavam gasolina pelo mar de Azov em direção à península ocupada. Os ataques foram atribuídos a unidades como a “Kairos”, da 414.ª Brigada “Madyar’s Birds”, ao 413.º Regimento “Raid” e ao 1.º Centro das Forças de Sistemas Não Tripulados.
O ‘Financial Times’ também noticiou que a Ucrânia intensificou os ataques contra navios mercantes russos no mar de Azov, com o objetivo de perturbar o abastecimento de combustível à Crimeia. Segundo o jornal, Kiev afirma ter atingido 21 embarcações em três dias, incluindo petroleiros, um cargueiro e um ferry perto de Kerch.
A confirmação parcial veio de Moscovo. O governador da região russa de Rostov, Yuri Slyusar, afirmou que dois petroleiros foram danificados num ataque de drones na baía de Taganrog, quando seguiam em direção a Rostov-on-Don. Segundo Slyusar, dois tripulantes ficaram feridos, as embarcações estariam vazias e não houve derrame de produtos petrolíferos.
Os ataques fazem parte de uma campanha ucraniana mais ampla contra as rotas logísticas russas no sul ocupado. A Crimeia, anexada ilegalmente pela Rússia em 2014, tem enfrentado dificuldades crescentes de abastecimento, incluindo racionamento de combustível e apagões rotativos, segundo a imprensa ucraniana.
Na mesma noite, Brovdi afirmou que os drones ucranianos atingiram 53 alvos militares em profundidade operacional na Crimeia ocupada e no sul ocupado. Entre os alvos estarão seis subestações elétricas, elevando para 50 o número de nós energéticos atingidos entre 1 e 8 de julho, no que Kiev descreve como uma campanha para desligar a infraestrutura que sustenta a ocupação.
O Serviço de Segurança da Ucrânia, SBU, também anunciou novos ataques contra alvos russos na Crimeia e em territórios ocupados. Segundo a agência, a unidade especial Alpha atingiu a base aérea militar de Dzhankoi, incluindo estações de retransmissão associadas a drones russos Orion e depósitos de armas e equipamento.
A ofensiva ucraniana terá visado ainda infraestruturas portuárias em Kerch e depósitos de munições e combustível em Novohryhorivka e Chervone. No Donetsk ocupado, o SBU disse ter destruído um centro logístico perto de Pokrovsk com drones, sistemas robóticos terrestres e munições.
Também foram relatados ataques contra bases de operadores de drones russos em Komysh-Zoria e Kamianka, na região ocupada de Zaporizhzhia, e contra depósitos em Hranitne e Styla, na região de Donetsk. O SBU afirmou que os ataques mataram pilotos de drones e comandantes de unidades russas, informação que não pôde ser confirmada de forma independente.
A operação surge depois de outros ataques ucranianos contra os aeródromos de Saky e Hvardiiske, na Crimeia, a 1 e 3 de julho. Segundo Kiev, esses ataques danificaram ou destruíram cerca de sete aeronaves em Saky e atingiram hangares em Hvardiiske onde estariam armazenados drones Shahed e equipamento de aviação.
Ao atacar petroleiros, portos, subestações, bases aéreas e depósitos, a Ucrânia procura atingir o mesmo objetivo por várias vias: tornar mais difícil, caro e arriscado abastecer a Crimeia ocupada e as forças russas no sul. O mar de Azov, que Moscovo tratava como corredor logístico seguro, tornou-se agora uma frente vulnerável à guerra de drones.









