A Ucrânia dispõe atualmente de recursos financeiros suficientes para manter as suas operações e despesas até ao início de maio, contrariando receios iniciais de que o país pudesse enfrentar uma crise de liquidez já no final de março. A informação foi avançada por várias fontes familiarizadas com as finanças de Kiev, numa altura em que o governo ucraniano continua a enfrentar fortes pressões orçamentais devido à guerra.
As autoridades tinham alertado para a possibilidade de o país começar a ficar sem fundos ainda durante o primeiro trimestre do ano, uma vez que o orçamento nacional enfrenta um défice estimado em pelo menos 50 mil milhões de dólares em 2026. No entanto, a situação financeira melhorou após novos apoios internacionais.
Um dos fatores decisivos para aliviar a pressão financeira foi a aprovação, no mês passado, de um novo financiamento por parte do Fundo Monetário Internacional (FMI). O organismo aprovou um empréstimo de 8,1 mil milhões de dólares destinado a apoiar a economia ucraniana em plena guerra.
Do montante total, 1,5 mil milhões de dólares foram imediatamente desembolsados, permitindo reforçar a liquidez do Estado e garantir a continuidade de despesas essenciais relacionadas com a defesa e o funcionamento da administração pública.
Este reforço financeiro deu às autoridades ucranianas uma margem adicional para gerir o orçamento num momento particularmente delicado para a economia do país.
Pacote europeu de apoio enfrenta bloqueio da Hungria
Paralelamente ao apoio do FMI, os líderes da União Europeia chegaram a acordo, em meados de dezembro, para criar um pacote de 90 mil milhões de euros destinado a apoiar a Ucrânia na sua defesa contra as forças russas.
No entanto, a iniciativa enfrenta atualmente um bloqueio político por parte da Hungria. O governo de Budapeste acusa Kiev de atrasar deliberadamente reparações no oleoduto Druzhba, que transporta petróleo russo e que é considerado vital para o abastecimento energético húngaro.
Segundo as autoridades húngaras, a Ucrânia estaria a utilizar a situação do oleoduto como instrumento de pressão política para influenciar eleições consideradas decisivas para o futuro do primeiro-ministro Viktor Orbán.
Kiev rejeita acusações sobre o oleoduto
O governo ucraniano rejeitou as acusações feitas pela Hungria, afirmando que os danos no oleoduto são demasiado extensos para permitir a retoma do transporte de petróleo.
De acordo com Kiev, a infraestrutura foi seriamente afetada por um ataque com drones ocorrido no final de janeiro, tornando impossível restabelecer rapidamente o fluxo de petróleo russo para território húngaro.
A disputa agravou as tensões políticas dentro da União Europeia, numa altura em que vários Estados-membros procuram desbloquear o pacote financeiro destinado à Ucrânia.
Bruxelas tenta ultrapassar impasse antes de nova cimeira
Perante o bloqueio imposto por Budapeste, responsáveis europeus estão a tentar encontrar uma solução política que permita ultrapassar o impasse antes da próxima cimeira de líderes da União Europeia, prevista para a próxima semana.
O facto de Kiev dispor agora de financiamento suficiente até maio oferece algum tempo adicional para que as negociações diplomáticas prossigam sem uma pressão imediata relacionada com a liquidez financeira do país.
Alguns diplomatas acreditam que o impasse poderá ser resolvido após as eleições previstas na Hungria no próximo mês, um fator que poderá influenciar a posição do governo de Viktor Orbán.
Além dos programas multilaterais, alguns países europeus estão também a preparar novos compromissos de apoio direto à Ucrânia.
O ministro das Finanças dos Países Baixos, Eelco Heinen, informou esta terça-feira os seus homólogos europeus de que o governo neerlandês prevê disponibilizar 3,5 mil milhões de euros por ano em apoio bilateral a Kiev até 2029, segundo fontes diplomáticas.






