As eleições na Ucrânia só deverão realizar-se depois do fim da guerra com a Rússia e não durante um eventual cessar-fogo temporário. A posição foi reafirmada pelo presidente Volodymyr Zelensky numa entrevista ao jornal italiano ‘Corriere della Sera’, citada pelo jornal britânico ‘Daily Express’.
De acordo com o ‘Daily Express’, o líder ucraniano explicou que o principal desafio não é decidir se haverá eleições, mas sim determinar quando existirão condições para as realizar. “A verdadeira questão é quando poderemos organizar eleições”, afirmou Zelensky, sublinhando que o escrutínio só deverá ocorrer quando a guerra terminar e não durante uma pausa temporária nos combates.
Na entrevista ao ‘Corriere della Sera’, o presidente ucraniano admitiu também que ainda não decidiu se voltará a candidatar-se à presidência. “Não tenho a certeza de que me candidatarei. Vou ver o que os ucranianos querem”, declarou.
As eleições nacionais estavam inicialmente previstas para o início de 2024, mas foram adiadas devido à invasão em larga escala lançada pela Rússia, liderada por Vladimir Putin, contra a Ucrânia em fevereiro de 2022.
A legislação ucraniana impede a realização de eleições enquanto vigorar a lei marcial. O Artigo 19 da lei sobre o regime jurídico da lei marcial proíbe expressamente a realização de eleições nacionais durante um estado de emergência. A lei marcial foi novamente prolongada no mês passado e deverá manter-se em vigor pelo menos até 4 de maio.
Na mesma entrevista, Zelensky abordou também a possibilidade de uma eventual redução da ajuda militar dos EUA à Ucrânia. Segundo o presidente, Kiev tem discutido com os parceiros europeus a necessidade de reforçar o apoio militar caso Washington diminua o seu envolvimento.
O líder ucraniano afirmou que a Europa possui recursos económicos e capacidade industrial para aumentar o apoio militar, mas reconheceu que o setor da defesa europeu ainda não está totalmente preparado para substituir os Estados Unidos. “A Europa tem os recursos e a indústria, mas ainda não está suficientemente desenvolvida na área militar. Precisa também da nossa experiência”, afirmou.
Zelensky acrescentou que os países europeus estão hoje mais preparados do que no início da guerra, mas sublinhou que ainda não conseguem substituir totalmente o papel desempenhado pelos Estados Unidos no apoio militar à Ucrânia.
Apesar disso, o presidente ucraniano garantiu que Kiev não pretende arrastar a Europa para o conflito direto com a Rússia. “Não quero envolver os europeus na nossa guerra contra a Rússia no nosso território”, afirmou.










