Ucrânia: Rússia vai permitir maiores de 40 anos nas Forças Armadas para enfrentar as grandes perdas durante a invasão

Projeto de lei da Duma vai permitir que russos com mais de 40 anos e estrangeiros com mais de 30 possam alistar-se

Francisco Laranjeira

O Parlamento russo apontou, esta sexta-feira, que está a considerar um projeto de lei para permitir que russos com mais de 40 anos e estrangeiros com mais de 30 possam alistar-se nas Forças Armadas, num claro sinal de necessidade urgente da Rússia em reforçar o seu esforço de guerra na Ucrânia. No site da Duma, a câmara baixa do parlamento, pôde ler-se que a medida iria permitir que os militares possam beneficiar das capacidades e experiência de profissionais mais velhos.

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“Para o uso de armas de alta precisão, a operação de armas e equipamentos militares, são necessários especialistas altamente profissionais. A experiência mostra que eles tornam-se assim aos 40, 45 anos”, frisou. Atualmente, apenas russos de 18 a 40 anos e estrangeiros de 18 a 30 anos podem assinar um primeiro contrato com os militares.

Ao 86º dia do conflito na Ucrânia, as tropas russas têm colecionado reveses e grandes perdas de homens e equipamentos de guerra, no qual a Ucrânia mobilizou praticamente toda a sua população masculina adulta. Apesar de querer assumir o controlo total das ruínas de Mariupol, Moscovo continua longe do seu objetivo de tomar toda a região do Donbass, no leste da Ucrânia.

“Claramente, os russos estão com problemas. Esta é a mais recente tentativa de resolver a escassez de mão de obra sem alarmar a sua própria população. Mas está a ficar cada vez mais difícil para o Kremlin disfarçar os seus fracassos na Ucrânia”, referiu o general reformado dos Estados Unidos, Ben Hodges, ex-comandante das forças do Exército dos EUA na Europa, em declarações citadas na agência ‘Reuters’.

Jack Watling, especialista em guerra terrestre do think tank britânico de segurança e defesa RUSI, revelou que os militares russos estão com falta de infantaria. “A Rússia precisa estabilizar as suas unidades militares na Ucrânia e gerar novas unidades se quiser melhorar a sua posição no terreno”, referiu. “Este será um processo lento e complicado, mas pode ser acelerado mobilizando pessoas com habilidades existentes e experiência militar.”

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A Duma apontou ainda que a nova legislação proposta também facilitaria o recrutamento de médicos civis, engenheiros e especialistas em operações e comunicações.

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