Ucrânia: Rússia reafirma que cessar-fogo se circunscreve à Páscoa ortodoxa

A Rússia reafirmou hoje que a guerra na Ucrânia vai continuar após o cessar-fogo de 32 horas durante a Páscoa ortodoxa, que termina à meia-noite, até que Kiev aceite condições que garantam os interesses de Moscovo.

Executive Digest com Lusa

A Rússia reafirmou hoje que a guerra na Ucrânia vai continuar após o cessar-fogo de 32 horas durante a Páscoa ortodoxa, que termina à meia-noite, até que Kiev aceite condições que garantam os interesses de Moscovo.


“A operação militar especial continuará após o fim do cessar-fogo, até que [o Presidente ucraniano, Volodymyr] Zelensky encontre a coragem para assumir a sua responsabilidade”, disse o porta-voz presidencial, Dmitry Peskov, em comunicado à televisão estatal russa.


No sábado, o Presidente ucraniano reiterou que seria apropriado que o cessar-fogo fosse prolongado, acrescentando que tinha feito essa proposta a Moscovo.


Na sexta-feira, a Rússia tinha já rejeitado a sugestão ucraniana de prolongar a trégua da Páscoa ortodoxa, mantendo que se destina exclusivamente àquela festividade.


O Presidente russo, Vladimir Putin, anunciou na quinta-feira à noite um cessar-fogo com a Ucrânia, o quarto desde o início da guerra em 2022, entre sábado à tarde e hoje à noite, devido à celebração da Páscoa pelos cristãos ortodoxos.

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A trégua tinha sido proposta no início da semana pelo Presidente ucraniano, que sugeriu na quinta-feira, após o anúncio de Putin, o prolongamento do cessar-fogo.


O porta-voz do Kremlin (presidência russa), Dmitri Peskov, reafirmou que o anúncio de Putin se circunscreve à Páscoa ortodoxa, referindo que a trégua tem “um caráter humanitário” por se tratar de uma festa sagrada, tanto para russos como para ucranianos.


Anteriormente, o Kremlin já tinha rejeitado as propostas ucranianas de um cessar-fogo prolongado.

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Moscovo condiciona o fim das hostilidades à aceitação por Kiev das suas exigências, que se mantêm praticamente inalteradas desde o início da guerra, em fevereiro de 2022, evidenciando a inflexibilidade russa nas negociações.


A Rússia receia que a Ucrânia possa aproveitar uma trégua para reforçar as posições no terreno sem chegar depois a um acordo de paz.


As negociações para encontrar uma solução para o conflito continuam em pausa desde a última ronda trilateral realizada na cidade de Genebra em meados de fevereiro.


A Rússia exige a retirada das tropas ucranianas das regiões que declarou anexadas após ter invadido a Ucrânia, bem como o reconhecimento da soberania russa nos quatro territórios em causa e na Crimeia, que anexou em 2014.


Exige também, entre outras questões, uma redução dos efetivos das forças armadas ucranianas e garantias de que a Ucrânia nunca fará parte da NATO.

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Kiev rejeita tais pretensões e exige a retirada das tropas russas da Ucrânia, incluindo a Crimeia, e a reposição das fronteiras de 1991, quando se tornou independente da União Soviética, bem como garantias de segurança em relação à Rússia.


A invasão russa da Ucrânia desencadeou uma guerra que causou centenas de milhares de vítimas civis e militares, e mergulhou a Europa na pior crise de segurança desde a Segunda Guerra Mundial.


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