Ucrânia reduz recrutamento de soldados devido ao número elevado de tropas e à falta de armas

As Forças Armadas ucranianas não têm recursos suficientes para treinar e fornecer armas às centenas de milhares de pessoas que queriam alistar-se para combater o invasor russo.

Simone Silva
Março 28, 2022
12:53

As Forças Armadas ucranianas não têm recursos suficientes para treinar e fornecer armas às centenas de milhares de pessoas que queriam alistar-se para combater o invasor russo.

Segundo o ‘El País’, apesar de o Exército ucraniano evitar dar números específicos sobre o número total de soldados ativos, estimativas de especialistas indicam que atualmente são cerca de 500 mil, o dobro dos que estavam em serviço pouco antes do início do conflito.



Por esse motivo, adianta o jornal, as autoridades ucranianas agora optam por distribuir os voluntários em outras áreas que não são estritamente militares, reduzindo o recrutamento de soldados.

No início do conflito, as Forças Armadas da Ucrânia contavam oficialmente com 250 mil profissionais ativos, dos quais 190 mil eram militares. No papel, a Ucrânia também tinha cerca de 200 mil funcionários de reserva e voluntários nas Forças de Defesa Territoriais, uma divisão militarizada responsável pela proteção e controlo local.

A estes devem somar-se os 130 mil agentes da polícia e batalhões de origem paramilitar que estavam sob o guarda-chuva da Guarda Nacional e agora, com a lei marcial, sob as ordens do Ministério da Defesa.

Assim, adianta o ‘El País’, a Rússia tem 900 mil soldados em serviço, meio milhão de unidades policiais ou paramilitares e dois milhões de funcionários de reserva, segundo dados do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS).

Mijailo Samus, diretor do centro de estudos de defesa ucraniano Nova Geopolítica, indica que o contingente mobilizado pela Ucrânia atualmente é muito maior do que há um mês: são 300 mil veteranos da guerra provocada pela Rússia em 2014 na região de Donbas (leste do país) imediatamente incorporado em unidades na frente.

A isto juntam-se mais 100 mil voluntários, segundo a imprensa ucraniana, que foram aceites nas Forças de Defesa Territoriais nas duas primeiras semanas da invasão.

Essas unidades são fundamentais nos postos de controlo rodoviário e municipal, na procura de criminosos russos, mas também no confronto armado.

“As Defesas Territoriais foram fundamentais no primeiro golpe contra Kiev, quando os agentes especiais russos tentam infiltrar-se na capital e assumem posições estratégicas, pois são ágeis na mobilização e conhecem melhor a cidade”, explica Samus, ao jornal.

A par da saturação de tropas, existe ainda falta de armas. A guerra dura há um mês na Ucrânia e uma das suas consequências imediatas é precisamente a falta de munição e armas para as forças de defesa nacional.

Na linha de frente do fogo, em Kharkov, o membro das Forças de Defesa Territoriais Vlad Hrishenko confirma o mesmo cenário. “Soldados já temos muitos, o que precisamos é de material de proteção e armas”, refere.

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