O militar neonazi Mário Machado foi dispensado das apresentações quinzenais a que estava obrigado, depois de pedir para combater na Ucrânia, mas o país rejeitou a sua presença.
Segundo o ‘Diário de Notícias’ (DN), o coronel Sergii Malyk, adido militar da Embaixada da Ucrânia em França, referiu que por conta dos crimes de que é acusado – incitamento ao ódio racial e violência e posse ilegal de arma – Machado não pode combater no seu país.
“A ausência de condenação por crimes, comprovada através do registo criminal, é um dos critérios chave para a aceitação de candidatos na Legião Internacional de Defesa Territorial das Forças Armadas da Ucrânia. A pessoa que refere não pode ser aceite”, afirma ao jornal.
O responsável garantiu ainda que o nome de Machado será transmitido “a todos os serviços” e agradeceu a informação de que o mesmo quereria combater na Ucrânia, apelando a que sejam divulgadas notícias de pessoas na mesma situação.
“Se souberem de pessoas deste tipo que queiram ir para a Ucrânia digam. Não queremos indivíduos deste género no nosso país”, sublinhou acrescentando que querem “impedir a infiltração de elementos criminosos e não confiáveis na Ucrânia e nas suas Forças Armadas.”
Mário Machado, arguido num processo de posse ilegal de arma, no âmbito do qual foi detido em flagrante delito na sua casa, em 09 de novembro de 2021, estava sujeito às medidas de coação de termo de identidade e residência (TIR) e obrigação de apresentações quinzenais às autoridades.
Contudo, na sexta-feira o Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa deferiu o pedido de Mário Machado de levantamento dessa medida de coação, para “ir para a Ucrânia prestar ajuda humanitária e, se necessário, combater ao lado das tropas ucranianas”.
Entretanto, a Procuradoria-Geral da República (PGR) já confirmou “o Ministério Público vai interpor recurso” da decisão da juíza do TCIC.
Mário Machado, 44 anos, esteve ligado a diversas organizações de extrema-direita, como o Movimento de Ação Nacional, a Irmandade Ariana e o Portugal Hammerskins, a ramificação portuguesa da Hammerskin Nation, um dos principais grupos neonazis e supremacistas brancos dos Estados Unidos da América. Fundou também os movimentos Frente Nacional e Nova Ordem Social (NOS), que liderou de 2014 até 2019.
O nacionalista tem também um registo criminal marcado por várias condenações, entre as quais a sentença, em 1997, a quatro anos e três meses de prisão pelo envolvimento na morte, por um grupo de ‘skinheads’, do português de origem cabo-verdiana Alcino Monteiro na noite de 10 de junho de 1995.
Tem ainda uma outra condenação de 10 anos, fixada em 2012 por cúmulo jurídico na sequência de condenações a prisão efetiva em três processos, que incluíam os crimes de discriminação racial, ofensa à integridade física qualificada, difamação, ameaça e coação a uma procuradora da República e posse de arma de fogo.













