Ucrânia: Putin assina decreto que autoriza a adoção de crianças ‘roubadas’ na Ucrânia

Documento já foi publicado no portal do Governo russo e abrange menores sem proteção filial e pessoas com deficiência das autoproclamadas repúblicas populares de Donetsk e Lugansk

Francisco Laranjeira

Os saques russos na Ucrânia continuam a avançar dia após dia. Primeiro o grão na área do Donbass, depois o aço de Mariupol, e agora ‘arrancou’ o das crianças ucranianas.

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Vladimir Putin assinou aquela que talvez seja a sua decisão mais controversa: um mandado para transformar os filhos da nação atacada em espólios de guerra. O seu objetivo é russificar à força crianças órfãs e até menores arrancadas das suas famílias na Ucrânia, forçá-las a jurar fidelidade ao regime que destruiu o seu país e dar-lhes novas mães e pais com ideias alinhadas com as do exército que agora devasta as suas terras, segundo avançou esta terça-feira o jornal espanhol ‘El Mundo’. A intenção deste decreto de Putin é transformar os menores ucranianos que não têm pais nas regiões subjugadas em jovens que possam juntar-se ao exército russo no futuro.

O documento, que foi publicado no portal do Governo russo, abrange menores sem proteção filial e pessoas com deficiência das autoproclamadas repúblicas populares de Donetsk e Lugansk, reconhecidas como independentes pela Rússia em fevereiro passado, bem como do resto da Ucrânia. Uns dias antes, Putin tinha simplificado a concessão de cidadania russa a habitantes das regiões ucranianas de Kherson e Zaporijia, ocupadas parcialmente pelo exército russo e consideradas estratégicas para um corredor terrestre com a península da Crimeia, anexada pela Rússia.

Vladimir Putin já conquistou grandes áreas no leste e sul da Ucrânia e não tem perdido tempo em confiscar os bens mais valiosos da Ucrânia ou aqueles que mais carecem da Rússia. Nos últimos dias, veio à tona que a Rússia está a mover metais da siderúrgica Azovstal para a cidade russa de Rostov-on-Don através do Mar de Azov e grãos de cidades ucranianas já sob o jugo de Moscovo.

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