Ucrânia: Presidente turco e Vladimir Putin encontram-se esta quarta-feira em Astana

Turquia, que mantém uma posição neutra desde o início da invasão russa na Ucrânia, já se havia oferecido para mediar a abertura das negociações entre Kiev e Moscovo

Executive Digest com Lusa

O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, vai reunir-se com seu homólogo russo, Vladimir Putin, esta quarta-feira em Astana, à margem de uma cimeira regional na capital do Cazaquistão, disse hoje um responsável turco à agência de notícias AFP.

A Turquia, que mantém uma posição neutra desde o início da invasão russa na Ucrânia, já se havia oferecido para mediar a abertura das negociações entre Kiev e Moscovo.

Erdogan – que ainda não comentou os ataques russos a várias cidades na Ucrânia na segunda-feira que deixaram pelo menos 19 mortos e cerca de 100 feridos -, disse que a abordagem “equilibrada” de Ancara nesse conflito está a ser apreciada pelos Ocidentais.

Os Presidentes turco e russo já se haviam reunido à margem de uma cimeira regional no Uzbequistão no mês passado.

O ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Mevlut Cavusoglu, manteve contactos por telefone com autoridades russas na segunda-feira, após os últimos ataques russos, disse uma fonte diplomática turca.

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Hoje, Cavusoglu, numa entrevista à televisão turca, disse que “um cessar-fogo deve ser estabelecido o mais rápido possível. Quanto mais cedo melhor”.

“Infelizmente, [os dois países] rapidamente se afastaram da diplomacia”, desde as conversas entre negociadores russos e ucranianos em março em Istambul, declarou Cavusoglu.

“À medida que a guerra entre a Ucrânia e a Rússia se arrasta, infelizmente, a situação fica pior e mais complicada”, acrescentou.

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O ministro turco também pediu “uma paz justa” baseada na integridade territorial da Ucrânia.

“Deve haver uma paz justa para a Ucrânia. Para onde está a ir a guerra? Ela está a acontecer em solo ucraniano (…). Deve iniciar-se um processo que garanta a integridade territorial e as fronteiras da Ucrânia “, enfatizou o ministro.

“Sem um cessar-fogo, não é possível falar sobre essas questões de maneira saudável: um cessar-fogo viável e uma paz justa”, sublinhou Cavusoglu.

Erdogan tem a esperança de promover negociações de paz entre Vladimir Putin e o seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, que são consideradas essenciais pelas autoridades turcas.

Embora seja membro da NATO, a Turquia não aderiu às sanções ocidentais contra a Rússia. Erdogan, que enfrenta uma situação económica difícil antes das eleições marcadas para junho, deseja manter e desenvolver o comércio com Moscovo.

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No entanto, sob pressão dos Estados Unidos, Ancara anunciou no mês passado que os últimos três bancos turcos que ainda aceitavam cartões bancários russos decidiram encerrar as parcerias.

A decisão seguiu semanas de alertas cada vez mais urgentes de Washington, instando a Turquia a limitar as suas relações económicas com a Rússia, ou corre o risco de ser sujeita a sanções.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 13 milhões de pessoas – mais de seis milhões de deslocados internos e mais de 7,6 milhões para os países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A invasão russa – justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra 6.221 civis mortos e 9.371 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.

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