Ucrânia prepara segundo inverno na guerra: Moscovo já ataca centrais elétricas para colapsar o moral civil

Em 2022, baseado numa estratégia do general Sergey Surovikin, os mísseis e drones russos atingiram diversas infraestruturas civis, especialmente centrais elétricas, durante meses. Em muitas cidades, como Kharkiv, Kramatorsk ou Sumi, não houve eletricidade durante semanas

Francisco Laranjeira
Outubro 4, 2023
12:29

A Ucrânia prepara-se para o segundo inverno em guerra: ao longo de mais de mil quilómetros na linha da frente, há milhões de ucranianos que vivem em sobressalto pelo início da nova campanha de bombardeamentos contra a infraestrutura energética ucraniana para provocar o colapso do moral civil.

Em 2022, baseado numa estratégia do general Sergey Surovikin, os mísseis e drones russos atingiram diversas infraestruturas civis, especialmente centrais elétricas, durante meses. Em muitas cidades, como Kharkiv, Kramatorsk ou Sumi, não houve eletricidade durante semanas. A capital Kiev sofreu apagões contínuos e três dias inteiros sem eletricidade – todos os negócios e edifícios essenciais tiveram de usar um gerador a gasolina.

Os técnicos de reparação destas fábricas, por vezes sem instrumentos ou peças sobressalentes para reavivar as instalações após um bombardeamento, tornaram-se heróis nacionais, a par dos soldados e médicos militares. Os sucessivos apelos de Volodymyr Zelensky encontraram eco no Ocidente, que forneceu defesas antiaéreas para dificultar a missão russa. Kiev conseguiu ainda ligar vários reatores da central nuclear de Rivne, que permanecia inativa, para iluminar o resto da Ucrânia.

No entanto, apesar dos esforços, dezenas de milhares de ucranianos que vivem perto da frente, em locais sem hospitais, eletricidade ou água e muito menos gás, aguardam um cessar-fogo que está mais distante do que nunca.

A Rússia começou a campanha de bombardeamento na semana passada, com o lançamento de vários drones de origem iraniana sobre várias centrais elétricas ucranianas: apesar da maioria ter sido abatida, o objetivo de Moscovo é esgotar as defesas antiaéreas. Putin pode usar enxames de drones para esgotar as munições dos ucranianos e depois avançar para a destruição das centrais elétricas e centros de distribuição com os mísseis.

Recentemente, o chefe da diplomacia europeia e os 27 ministros dos Negócios Estrangeiros da UE reuniram-se com o seu colega ucraniano Dmytro Kuleba para ver quais as necessidades que o país tinha pensando numa guerra longa e neste segundo inverno. Kuleba não insistiu apenas na ajuda militar para proteger as cidades mas também na ajuda civil na forma de geradores.

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