Sob as cúpulas douradas do Mosteiro Danilov, a poucos quilómetros a sul do Kremlin, o patriarca ortodoxo russo explicou por que motivo a Rússia está determinar em destruir a Ucrânia. “Se virmos [a Ucrânia] como uma ameaça, temos o direito de usar a força para garantir que a ameaça seja erradicada”, frisou recentemente Kirill aos 90 milhões de seguidores fiéis da sua igreja. “Entramos num conflito que não tem apenas um significado físico mas também metafísico. Estamos a falar da salvação humana, algo muito mais importante do que a política”, sobre “uma rejeição fundamental dos chamados valores que são hoje oferecidos por aqueles que reivindicam o poder mundial”.
A coligação de guerra entre Putin e o seu patriarca é conhecida como ‘symphonia’, uma aliança férrea entre a Igreja e o Estado que assegura reverência recíproca, sem que qualquer uma das instituições pretenda dominar a outra. “Uma nova ordem mundial nasce diante dos nossos olhos”, é como Putin descreveu o conflito, num comunicado publicado no início da guerra, alertando mais tarde para aqueles que discordavam: “Infligindo o máximo de dano às pessoas. O povo russo será capaz de distinguir os verdadeiros patriotas da escória e traidores.”
O historiador da igreja bizantina e ortodoxa Henry Hopwood-Philipps avaliou que a NATO e todos os que se opõem ao regime clepto-teocrático de Putin estão em espera. “A guerra da informação, a guerra militar contra Putin parece ser eficaz”, explicou. “Mas, apesar de toda a pólvora digital do Ocidente, enfrentamos quase 700 anos de um sistema de crenças sobrenatural profundamente enraizado.”
Para o patriarca ortodoxo russo, os ucranianos são pecadores. “Muitas pessoas por fraqueza, estupidez, ignorância e na maioria das vezes uma vontade de justificar o pecado condenado pela Bíblia são um teste à nossa capacidade de professar a fé no nosso Salvador”, garantiu Kirill.



