A Ucrânia está a dar um novo passo na proteção do seu território face aos ataques russos, ao permitir que empresas privadas contratem sistemas de defesa aérea para proteger instalações específicas. A medida surge num contexto de intensificação dos bombardeamentos contra infraestruturas essenciais, como energia, transportes e comunicações.
De acordo com o Euromaidan Press, já está em funcionamento um sistema de defesa aérea desenvolvido por privados, baseado em metralhadoras pesadas operadas remotamente, concebido para neutralizar ameaças aéreas a curta distância.
O sistema, apresentado a jornalistas pelo conselheiro do Ministério da Defesa ucraniano Serhii Beskrestnov, utiliza torres com metralhadoras pesadas, incluindo modelos M2, capazes de atingir alvos aéreos até cerca de dois quilómetros de distância.
Estas soluções são pensadas para defesa localizada – conhecida como “point defense” – sendo direcionadas para infraestruturas críticas como centrais energéticas, centros de comunicações e nós de transporte.
O funcionamento é feito à distância, através de interfaces de controlo que permitem identificar, acompanhar e disparar sobre ameaças aéreas em tempo real.
Uma das principais novidades é a possibilidade de empresas privadas contratarem este tipo de proteção para as suas instalações. Na prática, isto significa que operadores privados podem assegurar cobertura aérea localizada, complementando o esforço das forças armadas.
Este modelo representa uma mudança significativa na forma como a Ucrânia organiza a sua defesa, permitindo aliviar a pressão sobre os sistemas militares tradicionais e aumentar a capacidade de resposta.
Setor privado mais rápido do que o Estado
Beskrestnov destacou ainda que o desenvolvimento destas soluções por empresas privadas tem sido mais rápido do que os programas estatais. A menor burocracia e processos de aquisição mais ágeis têm permitido colocar sistemas operacionais no terreno em menos tempo.
Este dinamismo poderá levar ao surgimento de mais iniciativas semelhantes, à medida que cresce a procura por soluções de proteção face aos ataques contínuos.
A abertura à participação do setor privado não surgiu do nada. Em novembro de 2025, o governo ucraniano aprovou um enquadramento legal que permite a empresas de setores estratégicos criar unidades de defesa aérea.
Estas unidades operam sob o comando da Força Aérea ucraniana, integradas numa estrutura militar unificada e sujeitas à supervisão do Ministério da Defesa.
Já em 2026, a Ucrânia avançou com a criação de um ramo militar dedicado exclusivamente à proteção de infraestruras críticas contra ataques aéreos. Esta reforma faz parte de um esforço mais amplo para melhorar a coordenação e aumentar a capacidade de دفاع aérea de curto alcance.
A utilização intensiva de drones e mísseis por parte da Rússia, frequentemente em grandes quantidades diárias, obrigou o país a repensar toda a sua estratégia de defesa aérea.
O surgimento destes sistemas privados reflete uma abordagem cada vez mais integrada e em camadas. A defesa do território ucraniano passa agora pela combinação de meios militares tradicionais com soluções desenvolvidas e operadas por entidades civis.
Segundo o Euromaidan Press, esta colaboração entre Estado e setor privado poderá ser determinante para proteger infraestruturas de elevado valor num cenário de guerra prolongada.




