Ucrânia: NATO volta a exortar Rússia a escolher o caminho da diplomacia

Secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, apontou que um dos assuntos discutidos foi, naturalmente, “a concentração injustificada e maciça de meios militares russos”

Executive Digest com Lusa

O secretário-geral da NATO voltou hoje a exortar Moscovo a “escolher o caminho da diplomacia” para superar a crise com a Ucrânia, reiterando que a Aliança Atlântica continua “pronta a encetar um diálogo significativo com a Rússia”.

Numa declaração à imprensa após receber o presidente da Colômbia, Ivan Duque, Jens Stoltenberg apontou que um dos assuntos discutidos foi, naturalmente, “a concentração injustificada e maciça de meios militares russos” nas fronteiras com a Ucrânia e voltou a apelar à via do diálogo.

“A melhor maneira de a Rússia demonstrar a sua disponibilidade para encontrar uma solução pacífica é inverter a escalada, remover as forças que agora ameaçam a Ucrânia e escolher o caminho da diplomacia”, declarou.

Stoltenberg revelou que também abordou com o chefe de Estado colombiano “o aprofundamento da cooperação entre Rússia e China, incluindo o seu apoio ao regime repressivo na Venezuela”, saudando a parceria forte entre a Aliança Atlântica e a Colômbia, comentando que “as parcerias da NATO” são uma parte essencial do trabalho “para fazer face aos desafios de segurança globais” e defender “as regras baseadas na ordem internacional”, que “está hoje sob pressão”.

“Concordámos que todas as partes devem desempenhar um papel construtivo para a estabilidade e paz regional”, disse, numa declaração sem direito a perguntas.

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Por seu lado, Ivan Duque defendeu igualmente que “todos os países do mundo devem ser livres de exercer a sua soberania e decidir se querem juntar-se à NATO”, e “nenhuma nação pode, pela força, coagir um país” a não fazê-lo.

Recordando que, em 2014, a Colômbia apoiou a resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas a condenar a anexação da Crimeia pela Rússia, Duque reiterou o “apoio total à integridade territorial ucraniana”.

Numa altura em que se intensificam os receios de um conflito armado, sobretudo à luz do alerta dos Estados Unidos da América (EUA) de que um ataque russo pode acontecer “a qualquer momento”, o Governo russo disse hoje que há ainda uma “oportunidade” de resolver a crise na Ucrânia através de canais diplomáticos, numa altura em que os países ocidentais temem que as tensões possam escalar para um conflito armado.

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As oportunidades de diálogo “não estão esgotadas, (mas) não devem durar indefinidamente”, disse o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, acrescentando que Moscovo está “pronto para ouvir contrapropostas sérias”.

O chefe da diplomacia russa referiu que os EUA se mostraram disponíveis para um diálogo sobre limites para instalação de mísseis na Europa, restrições a exercícios militares e outras medidas de confiança.

Lavrov sinalizou assim a intenção do Kremlin de permanecer na via diplomática, embora os Estados Unidos tenham avisado que Moscovo poderia invadir a Ucrânia a qualquer momento.

Moscovo nega qualquer intenção bélica, mas associa uma desescalada a uma série de exigências com as quais quer que os ocidentais se comprometam.

A principal reivindicação da Rússia são garantias do Ocidente de que a NATO não permitirá que a Ucrânia e outras ex-repúblicas soviéticas se juntem como membros, e que a Aliança irá suspender o envio de armas para a Ucrânia e retirar as suas forças da Europa de Leste.

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Embora a NATO se recuse a fechar a porta à Ucrânia, a aliança também não tem intenção de avançar com a integração deste ou outro país da ex-União Soviética tão cedo. Alguns analistas lançaram ideias como uma moratória sobre a expansão da NATO ou um estatuto neutro para a Ucrânia para desanuviar as tensões.

Realizaram-se várias rondas de conversações de dirigentes dos países ocidentais com a Ucrânia e com a Rússia nas últimas semanas, mas não conduziram a um compromisso.

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