As linhas diretas de apoio ucraniano para vítimas de violência sexual já receberam mais de 400 chamadas sobre casos de violação de mulheres e crianças pelos invasores russos desde o final de março e a libertação da região de Kiev (1 e 14 de abril) – o anúncio foi feito pela comissária de direitos humanos do Parlamento ucraniano Lyudmyla Denisova citado pelo ‘Kyiv Independent’.
“Estas pessoas têm sérias feridas psicológicas e muitas vezes ficam relutantes em testemunhar sobre a sua experiência para a polícia”, explicou Denisova. “Muitas sofreram perda de memória devido ao trauma do ataque. Só se lembram do início e do fim da tragédia.”
A responsável observou que as denúncias chegam não apenas das regiões libertadas mas também dos territórios ocupados, assim que a comunicação é estabelecida nessas áreas.
“Há duas características destes crimes”, apontou Denisova. “A primeira é que os criminosos são jovens entre os 20 e 25 anos. Ou seja, aqueles que cresceram no governo de Putin, na sua propaganda. A segunda é que eles fazem isso publicamente. É feito necessariamente na frente de outras pessoas e grupos, para que os outros possam ver como a vítima é degradada.”
Segundo Denisova, agora é impossível estimar a escala dos crimes sexuais cometidos pelas forças russas durante a ocupação, uma vez que a relutância das vítimas em testemunhar pode complicar ainda mais as coisas, mas alertou para a necessidade de apoio psicológico massivo para as vítimas de violência sexual como “primordial”, finalizou.














