Ucrânia: “Maioria das cidades não tem mais de três ou quatro dias de comida”, aponta agência humanitária

“A realidade é que agora o sistema humanitário está totalmente partido. Não estamos a ver um esforço de ajuda internacional coordenado para cobrir toda a Ucrânia, como costumamos ver em outras zonas de conflito”, advertiu Steve Gordon, conselheiro da ‘Mercy Corps’

Francisco Laranjeira
Março 22, 2022
16:21

Algumas cidades na Ucrânia não têm mais do que três ou quatro dias de comida, segundo revelou esta terça-feira a agência de ajuda humanitária ‘Mercy Corps’, alertando que o sistema humanitário do país “está totalmente partido”.

“Uma das nossas maiores preocupações no momento é a vulnerabilidade da cadeia de abastecimentos. Sabemos que a maioria dos municípios cujas áreas têm assistido aos combates mais intensos não têm mais do que três ou quatro dias de bens essenciais, como alimentos”, precisou o conselheiro de resposta humanitária da ‘Mercy Corps’ na Ucrânia Steve Gordon, que está em Kharkiv, um dos locais com alguns dos combates mais pesados desde o início da invasão russa.



Pelo menos 70% da população de Kharkiv e Sumy depende inteiramente da ajuda, estimou. “Áreas como Sumy, com 800 mil pessoas, estão quase inteiramente dependentes de ajuda enviada diariamente. As cidades precisam de pelo menos um mês de alimentos, armazenados em diferentes armazéns para o caso de serem atacados”, apontou Gordon.

“A realidade é que agora o sistema humanitário está totalmente partido. Não estamos a ver um esforço de ajuda internacional coordenado para cobrir toda a Ucrânia, como costumamos ver em outras zonas de conflito”, advertiu. “Enquanto as Nações Unidas estão a receber ajuda em algumas áreas, vimos através do fracasso dos corredores humanitários que muitas pessoas estão a sobreviver apenas com o apoio de pequenas organizações da sociedade civil ucraniana, como grupos religiosos, que estão a coordenar entregas essenciais, como alimentos e medicamentos. Essas incríveis redes de voluntários estão a trabalhar o máximo que podem mas estão esticadas ao máximo”, finalizou.

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