A Igreja Ortodoxa Ucraniana (UOC) pró-Rússia separou-se formalmente do patriarca Kirill, de Moscovo, um importante aliado do presidente russo Vladimir Putin enquanto decorre a invasão russa da Ucrânia. Mais de 100 igrejas na Ucrânia rejeitou a UOC a favor da Orthodox Church Ukraine (OCU), com sede em Kiev, que se separou de Moscovo em 2019 – a própria UOC declarou “independência total” de Moscovo na passada 4ª feira.
“Entendemos perfeitamente como a Igreja Ortodoxa Ucraniana está a sofrer hoje”, explicou o chefe da Igreja Ortodoxa Russa na Catedral de Cristo Salvador, no centro de Moscovo, alertando que os “espíritos malignos” queriam dividir o povo ortodoxo da Rússia e da Ucrânia.
No entanto, Rebekah Koffler, antigo oficial dos serviços de Inteligência do DIA (‘Defense Intelligence Agency’) e autora do “Putin’s Playbook”, descreveu como esta medida se tornou um “grande golpe” para Putin, em declarações à ‘Fox News’. “Kirill e Putin são amigos”, explicou, observando que o presidente russo “armou a religião ortodoxa russa como uma ferramenta geopolítica”. “A ideia de Putin em unificar o mundo russo, incluindo a Ucrânia e outros estados pós-soviéticos, depende da ideia de que a Rússia é o centro do cristianismo e o centro da civilização euro-asiática única que os russos acreditam ser excecional, assim como os americanos pensam que a América é excecional”, acrescentou Koffler. “Uma vez que a igreja se divide, perde toda a ideia de divindade.”
“Com as forças russas a estabelecer-se gradualmente, mas de forma constante, o controlo sobre o leste e o sul da Ucrânia – o principal objetivo de Putin nesta fase da guerra –, precisam equilibrar os interesses dos seus paroquianos”, explicou Koffler. “Alguns dos padres podem decidir ficar com Moscovo para ‘sobreviver’ a um possível novo regime se Putin conseguir garantir o controlo total de Donbass e estabelecer a chamada ‘Novorossiya’ (nova Rússia).”
“No fundo, a divisão religiosa abre um buraco na narrativa de Putin de que os russos e ucranianos são espiritual e etnicamente um só povo e, portanto, a Ucrânia não deveria existir como um país separado”, concluiu.













