Ucrânia ‘estreia’ novo míssil Flamingo em operação militar contra as forças russas

A Ucrânia utilizou pela primeira vez o míssil de cruzeiro Flamingo, recentemente desenvolvido no país, segundo relatos divulgados nas redes sociais e confirmados por órgãos de comunicação ucranianos.

Pedro Gonçalves
Setembro 1, 2025
17:22

A Ucrânia utilizou pela primeira vez o míssil de cruzeiro Flamingo, recentemente desenvolvido no país, segundo relatos divulgados nas redes sociais e confirmados por órgãos de comunicação ucranianos. Embora a autenticidade das imagens não tenha sido verificada de forma independente pela Newsweek, a imprensa local indica que o novo armamento foi usado em ataques no norte da Crimeia.

De acordo com o portal militar ucraniano Militarnyi, as forças de Kiev atingiram no sábado barcos de patrulha e um posto do FSB, o serviço de segurança russo, perto de Armiansk, no norte da península da Crimeia, utilizando mísseis Flamingo.



Imagens partilhadas nas redes sociais, sem data ou localização especificadas, parecem mostrar o lançamento de três destes mísseis ao nascer do sol.

Entretanto, o meio de comunicação independente russo Astra afirmou que a Ucrânia tinha atacado perto da aldeia de Voloshyne, a oeste de Armiansk, mas utilizando mísseis de longo alcance Neptune.

As características do novo míssil
Apresentado oficialmente em agosto, o Flamingo foi descrito por Kiev como o míssil “mais bem-sucedido” alguma vez produzido no país e um “instrumento muito poderoso” no arsenal ucraniano.

Com um alcance estimado de 3.000 quilómetros, o míssil de cruzeiro transporta uma ogiva de mais de uma tonelada. Tem uma velocidade máxima próxima dos 950 km/h, um tempo de voo de cerca de quatro horas e uma envergadura de seis metros.

Segundo a Associated Press, o nome Flamingo ficou associado ao projeto devido a um erro de pintura nas primeiras unidades, que acabaram por sair da linha de produção em cor-de-rosa.

A empresa responsável pelo desenvolvimento, a Fire Point, afirmou que consegue atualmente produzir um míssil por dia, mas espera aumentar a capacidade de fabrico para sete unidades diárias até outubro, disse Iryna Terekh, chefe de produção da empresa, à AP.

Apesar da inovação tecnológica, a Fire Point está sob investigação da agência anticorrupção ucraniana NABU, por alegadamente ter enganado o governo em questões de preços e entregas, segundo o jornal The Kyiv Independent.

Ao contrário das armas fornecidas por aliados ocidentais, sujeitas a restrições quanto ao uso em território russo, os mísseis fabricados internamente pela Ucrânia não enfrentam estas limitações, o que amplia o seu potencial de ação.

O presidente Volodymyr Zelensky afirmou em agosto que a “produção em massa [do Flamingo] deve começar este inverno”. Já o novo ministro da Defesa, Denys Shmyhal, que assumiu o cargo em julho, disse que o míssil é uma “arma muito poderosa”, mas sublinhou que mais detalhes serão divulgados “quando chegar o momento”.

Intensificação dos ataques na Crimeia
A utilização do Flamingo surge num momento em que Kiev intensifica a ofensiva contra alvos estratégicos na Crimeia, território anexado pela Rússia em 2014.

Nesta segunda-feira, a agência de inteligência militar ucraniana GUR afirmou ter atingido uma base aérea perto de Simferopol, destruindo dois helicópteros Mi-8 russos. O valor estimado das aeronaves pode atingir os 30 milhões de dólares, segundo a mesma fonte.

O ataque, realizado com recurso a drones, terá também atingido o aeroporto da cidade. A agência russa Astra referiu que um dos helicópteros foi “completamente destruído”.

Da mesma forma, a GUR confirmou que um rebocador russo foi atingido na Baía de Sebastopol, uma ação que, de acordo com Kiev, “limita significativamente as capacidades de combate” de uma unidade de elite de sabotagem da Rússia.

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