As forças ucranianas intensificaram os contra-ataques ao longo da linha da frente e, pela primeira vez desde o início da invasão russa, terão realizado mais operações ofensivas diárias do que as forças de Moscovo. A afirmação foi feita por Oleksandr Syrsky, comandante-chefe das Forças Armadas da Ucrânia, numa entrevista citada pelo ‘Kyiv Post’.
Segundo Syrsky, a intensidade e o número de operações de combate russas diminuíram nos últimos dias, enquanto a Ucrânia aumentou a pressão em vários setores da frente. “Pela primeira vez, o número das nossas operações ofensivas excedeu o número de operações ofensivas do inimigo”, afirmou o comandante ucraniano, embora sem indicar a data exata a que se referia.
O responsável militar, porém, travou qualquer leitura excessivamente otimista. “Mas não podemos relaxar, porque o inimigo é forte”, avisou. A advertência surge num momento em que a Rússia continua a concentrar grandes efetivos em zonas consideradas críticas, sobretudo na direção de Pokrovsk, no leste da Ucrânia.
De acordo com Syrsky, Moscovo terá concentrado cerca de 99 mil militares na direção de Pokrovsk, o maior agrupamento russo em todos os setores da frente. “É um número enorme. Estamos a fazer tudo para reduzir esse número”, disse o comandante-chefe ucraniano.
O general alertou também para a possibilidade de uma nova operação russa a partir do norte, com origem na Bielorrússia. Segundo Syrsky, o Estado-Maior russo estará a calcular e a planear possíveis ofensivas nessa direção. Caso esse cenário se concretize, a linha da frente aumentaria, obrigando a Ucrânia a distribuir ainda mais recursos militares.
As declarações surgem num contexto de forte pressão militar. Nos últimos dias, a Rússia lançou alguns dos maiores ataques com drones e mísseis desde o início da guerra, atingindo várias cidades ucranianas e provocando dezenas de mortos e feridos, incluindo em Kyiv, Kharkiv e Odesa.
Syrsky afirmou ainda que as perdas russas continuam a ser significativamente superiores às ucranianas. Segundo o comandante-chefe, as perdas totais de Moscovo na frente serão 3,5 vezes superiores às da Ucrânia. No caso dos mortos, a diferença poderá chegar, dependendo do dia, a sete ou nove vezes mais baixas do lado russo. Estes números são apresentados por Kiev e não foram verificados de forma independente.





