Ucrânia: Contraofensiva tem feito emergir relatos de tortura e assassinato pelas tropas russas nas regiões libertadas, denunciam autoridades

Artem, que mora na cidade de Balakliya, na região de Kharkiv, revelou que foi detido pelos russos durante mais de 40 dias e foi torturado com eletrocussão. Balakliya foi libertada a 8 de setembro último, depois de ter sido ocupada por seis meses

Francisco Laranjeira

A recente contraofensiva no nordeste da Ucrânia tem permitido recapturar faixas do território que foram ocupadas pelas tropas russas nos últimos meses mas, nas áreas recém-libertadas, estão entrelaçados sentimentos de alívio e de tristeza, conforme surgem cada vez mais relatos de tortura e assassinatos durante o período de ocupação russa, revelou esta quinta-feira os britânicos da ‘BBC’.

Artem, que mora na cidade de Balakliya, na região de Kharkiv, revelou que foi detido pelos russos durante mais de 40 dias e foi torturado com eletrocussão. Balakliya foi libertada a 8 de setembro último, depois de ter sido ocupada por seis meses, com o epicentro da brutalidade na esquadra de polícia da cidade, que as forças russas utilizaram como quartel-general. Artem denunciou que podia ouvir gritos de dor e terror vindos de outras celas, que as forças ocupantes garantiam que pudessem ser ouvidos ao desligar o barulhento sistema de ventilação do prédio.

“Eles desligaram para que todos pudessem ouvir como as pessoas gritam quando são eletrocutadas”, acusou Artem. “Faziam isso em alguns dos presos dia sim, dia não… Até faziam isso com as mulheres”. O cidadão ucraniano frisou ainda que foi detido porque os russos encontraram uma foto do seu irmão, um soldado, de uniforme. Outro homem de Balakliya foi detido durante 25 dias porque tinha a bandeira ucraniana. As autoridades ucranianas dizem que até oito homens foram mantidos em celas destinadas a duas pessoas.

Na estrada para Balakliya, foram vistos veículos militares marcados com o símbolo “Z” pró-guerra – aparentemente abandonados pelos russos enquanto fugiam. Uma escola, numa aldeia próxima, foi totalmente destruída num dos últimos atos dos russos antes de terem sido expulsos. O chefe regional de Kharkiv, Oleh Syniehubov, sublinhou que a tarefa crítica agora é restaurar o fornecimento de água e eletricidade mas há preocupações de que as linhas de energia possam ser minadas. Sobre um possível regresso das tropas russos, limitou-se a responder: “Estamos em guerra, há sempre perigo.”

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