Ucrânia avisa Bielorrússia: “Os primeiros 500 alvos já foram identificados”

Ucrânia elevou o tom perante a Bielorrússia, numa altura em que cresce em Kiev o receio de que Minsk possa envolver-se de forma mais direta na guerra lançada pela Rússia

Francisco Laranjeira

A Ucrânia elevou o tom perante a Bielorrússia, numa altura em que cresce em Kiev o receio de que Minsk possa envolver-se de forma mais direta na guerra lançada pela Rússia. O comandante das Forças de Sistemas Não Tripulados ucranianas, Robert Brovdi, afirmou que os militares já identificaram “500 potenciais alvos” em território bielorrusso e deixou um aviso direto a Aleksandr Lukashenko.

“Os primeiros 500 alvos já foram identificados. Um conselho gratuito e bem prático: não se metam no caminho da Ucrânia”, escreveu Brovdi, conhecido pelo indicativo militar “Magyar”, numa publicação no ‘Facebook’ citada pela ‘Euronews’.

A declaração surge num momento de tensão acrescida entre Kiev e Minsk. Brovdi respondeu também às ameaças do ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, que afirmou que Moscovo planeia “ataques sistemáticos a alvos em Kiev”. O comandante ucraniano salientou ainda que nove das 13 refinarias russas terão deixado de funcionar após ataques de drones ucranianos e de forças sob o seu comando.

A preocupação ucraniana centra-se no possível aprofundamento do envolvimento da Bielorrússia na guerra russa contra a Ucrânia. Embora Minsk seja um aliado próximo de Moscovo desde o início da invasão em grande escala, Kiev teme que o território bielorrusso possa voltar a ser usado para aumentar a pressão militar sobre o norte da Ucrânia.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, reuniu-se esta terça-feira, em Kiev, com Sviatlana Tsikhanouskaya, líder no exílio da oposição bielorrussa. O encontro aconteceu poucos dias depois de Lukashenko ter sugerido uma reunião com Zelensky, em Kiev ou em Minsk.

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Zelensky respondeu com ironia à proposta do líder bielorrusso. “Lukashenko disse que é altura de os presidentes da Ucrânia e da Bielorrússia se encontrarem e, eis que aparece Sviatlana Tsikhanouskaya”, afirmou o presidente ucraniano, troçando abertamente da possibilidade de um encontro com o aliado de Vladimir Putin.

Na mesma intervenção, Zelensky procurou distinguir o regime de Minsk da população bielorrussa. “Valorizamos todas as manifestações de apoio dos bielorrussos a uma Ucrânia livre e sabemos que chegará o dia em que as relações de boa vizinhança entre os nossos Estados serão restabelecidas, com base na verdadeira independência tanto da Ucrânia como da Bielorrússia em relação a Moscovo”, declarou.

“A Ucrânia nunca representou uma ameaça para a Bielorrússia”, sublinhou Zelensky, agradecendo aos bielorrussos que estão ao lado de Kiev “numa altura em que se decide o futuro” da independência ucraniana e da independência dos países que fazem fronteira com a Rússia.

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Na semana passada, o presidente ucraniano já tinha avisado que Kiev está preparada para tomar medidas “preventivas” contra Moscovo e contra a liderança bielorrussa se forem detetadas ameaças militares ao norte do país. O alerta surgiu num contexto de exercícios nucleares russo-bielorrussos e de tensões com membros europeus da NATO, depois de incursões de drones no Báltico.

Durante uma visita a Slavutych, cidade situada a cerca de 50 quilómetros da fronteira com a Bielorrússia, Zelensky afirmou que a “liderança de facto da Bielorrússia” deve compreender que haverá consequências se forem tomadas ações agressivas contra a Ucrânia e contra o povo ucraniano.

As suspeitas de Kiev não são recentes. No início de abril, Zelensky afirmou que relatórios militares ucranianos indicavam a construção de estradas na Bielorrússia em direção à fronteira ucraniana e a instalação de posições de artilharia junto à Ucrânia. Para Kiev, estes sinais aumentam o risco de uma nova frente de pressão a norte, mesmo que Minsk continue a evitar uma entrada direta e formal no conflito.

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