A Ucrânia está a levar a cabo uma operação para purgar os agentes duplos infiltrados nos serviços secretos do país, numa investigação que tem por base alegações de que traidores colocados em altos cargos prepararam a invasão da Rússia e ajudaram as forças inimigas a tomarem o controlo da cidade de Kherson e da central nuclear de Chernobyl.
Tetiana Sapian, porta-voz do Ministério Público Ucraniano, adiantou que membros dos serviços secretos russos, o FSB, infiltraram-se no serviço de segurança ucraniano SBU e também em alguns governos locais, conseguindo enfraquecer a Ucrânia a partir de dentro, com a ajuda de oficiais ucranianos pró-moscovo, que fugiram do país em 2014.
A responsável diz que a descoberta pode ser apenas a “ponta do icebergue”.
“A rede é muito mais ampla e a investigação quer descobrir todas as circunstâncias e ações de pessoas, individualmente, que causaram a rápida captura de parte do sul pelas tropas agressoras, a partir do território anexado da Crimeia”, explica Sapian.
No início do mês, as autoridades ucranianas concluíram a investigação que tinha como alvo Oleh Kulinich, ex-responsável regional do SBU na Crimeia, e natural de Kherson, que seria um dos mentores da operação.
Os investigadores suspeitam que Kulinich é na verdade um agente do FSB russo. “Nas primeiras horas da invasão, Kulinich bloqueou deliberadamente quaisquer tentativas de informar a liderança da real situação na região de Kherson. Ele não tomou quaisquer medidas para proteger a soberania da Ucrânia. Ele instruiu pessoal a abandonar o local de serviço. Depois, entregou armas a pessoas que não tinham qualquer relação com o SBU”, adiantou Sapian, no briefing dado aos jornalistas, citado pelo Politico.
Kulinich foi detido em julho passado e está acusado de alta-traição. Se for condenado em tribunal, enfrenta uma pena de prisão perpétua. A investigação apurou que receberia ordens do antigo vice-ministro da Defesa da Ucrânia Volodymyr Sivkovych, que fugiu do país em 2014.
Kulinich conseguiu subir na orgânica dos serviços secretos ucranianos sob instrução do ex-governante, alega o SBU e o gabinete de investigação “conseguindo destruir ou comprometer o trabalho do governo central a partir de dentro, infiltrar outros agentes inimigos e desequilibrar o trabalho feito”. O suspeito de alta-traição também “regularmente informava mal propositadamente as chefias sobre as reais intenções dos serviços especiais russos.
O agente duplo foi demitido por Zelensky em março do ano passado mas, segundo a RBC, Kulinich continuou a trabalhar como conselheiro e assessor do antigo líder dos Serviços Secretos da Ucrânia, Ivan Bakanov.
Bakanov virira a ser demitido por Zelensky no dia após Kulinich ser detido, alegando que demasiados funcionários daquele organismo tinham sido ‘apanhados’ em ações ilícitas ou ilegais enquanto estavam sob sua liderança.













