O antigo presidente americano, Bill Clinton, garantiu que nada poderia ter sido feito para travar a guerra na Ucrânia. “Não acredito que houvesse algo que pudéssemos ter feito para evitar isso”, frisou, durante uma palestra na Brown University.
A pergunta foi colocada por Derek Shearer, antigo embaixador na Finlândia durante a Administração Clinton – durante a qual o ex-presidente conviveu com o presidente russo Boris Yeltsin e depois brevemente com o seu sucessor, Vladimir Putin. “Bem, a resposta curta é que ‘não sei’, e passei noites sem dormir a pensar nisso”, confessou Clinton, que recordou como o seu Governo iniciou o processo de admissão dos Estados Bálticos – Lituânia, Estónia e Letónia – na NATO, no final dos anos 1990.
Várias figuras conservadoras têm culpado essa expansão da NATO, uma aliança originalmente projeta para se defender contra a União Soviética, pela recente agressão da Rússia, uma pretensão que Clinton rejeitou.
“Não é verdade que fizemos algo para isolar, humilhar ou ignorar Putin”, relembrou o ex-presidente. “Essa é a maior treta que já se ouviu”, criticou, apontando que durante os seus oitos anos no cargo, reuniu-se com a liderança da Rússia 23 vezes – 18 com Yeltsin e cinco vezes com Putin. “A ideia de que estávamos a tentar bloquear a Rússia ou isolá-los… isso não é verdade”, referiu.
Ao discutir o impacto da NATO no conflito, Clinton citou a jornalista Anne Applebaum, que recentemente disse que se a aliança não tivesse sido expandida, “estaríamos a ter essa luta na Alemanha Oriental agora”. “Se isso é verdade ou não, ainda não se sabe”, disse Clinton. “A Ucrânia precisa prevalecer”, finalizou.














